quinta-feira, 14 de maio de 2026

Écordel & Viola atividade do projeto de revitalização de Praças

no Jardim Oceania


Écordel & Viola foi o tema do evento promovido pela AMJO – Associação dos Ambientalistas e Moradores do Jardim Oceania, em João Pessoa, que é presidida pelo amigo patoense Severino Dutra, meu conterrâneo de Patos, e com o apoio de vários moradores do bairro localizado no litoral norte de João Pessoa. A AMJO vem desenvolvendo um importante projeto de revitalização de praças no Jardim Oceania, de educação ambiental e de valorização das manifestações folclórica e das culturas populares, que inclui grupos comunitários das periferias da cidade. Ou seja, integrando as comunidades periféricas de alguns bairros de João Pessoa com os moradores do Jardim Oceania que é um bairro de classe média no litoral da capital paraibana.

No sábado, dia 18 de abril, a praça Eco Bosque situada na Rua José Simões de Araújo com a Rua Sebastião Interaminense, o dia todo foi de muita festa com encontro literário e musical, feira de cordel, exposição de xilogravuras e embolada de coco com Curió e Barra Mansa. O Écordel & Viola teve início às 14:00h e por volta das 21:00h o encerramento teve a cantoria do grande repentista Oliveira de Panelas e participação de Paulo Cruz. 

Estive por lá e testemunhei que o importante projeto cultural desenvolvido pela AMJO é um exemplo de como a comunidade pode transformar os espaços públicos em áreas de lazer e de proteção ambiental. Parabéns ao Dutra e a todos os colaboradores que possibilitaram, mesmo com a adversidade do tempo em João Pessoa, foi mais um grande dia de festa e de educação ambiental. Os moradores e visitantes de João Pessoa, quando possível devem passar lá na praça Eco Bosque para conhecer o projeto sociocultural desenvolvido pela AMJO


 



sexta-feira, 20 de março de 2026

O equinócio de outono e a celebração do dia de São José

 

Hoje, dia 20 de março de 2026, ás 11h45 teve início o outono, aqui no hemisfério sul, onde está localizado o Brasil, e no hemisfério norte é a chegada da primavera. É o período em que acontece o equinócio, quando o dia e a noite têm duração igual de 12 horas. Portanto, não é mera coincidência os povos cristãos e principalmente os católicos celebrarem no dia 19 de março o dia de São José Operário, padroeiro dos marceneiros, dos carpinteiros e artesãos, pai adotivo de Jesus e o esposo de Maria. São José está na lista dos santos mais celebrados no mundo e de grande devoção no catolicismo popular. E desta forma a igreja católica, no decorrer do tempo, incorpora os períodos festivos das mudanças das estações no seu calendário litúrgico. 
Paróquia de São José - João Pessoa/PB
Aqui, no nordeste brasileiro, uma região bastante castigada pelas constantes secas, se chover no dia de São José significa que teremos um inverno bom, regular e de boa produção na agricultura e por isso São José é lembrado com muitas festas.  Choveu no dia 19 de março as esperanças dos nordestinos, dos sertanejos são renovadas, dão graças a Deus e São José.
Mas tudo isso tem significado e sentido que vem das antigas práticas de celebrações culturais e religiosas dos povos pagãos para celebrar as mudanças das estações do ano. Ao longo do tempo essas práticas de celebrações com festas sagradas e profanas - (verão, outono, inverno e primavera) - sempre fizeram parte dos processos das transformações culturais e religiosas da sociedade humana. Portanto, são essas práticas dos povos antigos que vêm sendo resinificadas desde a Idade Média até os dias atuais – na Idade da Mídia – com suas diversidades nacionais, regionais e locais recheadas desses novos significados e sentidos impregnados de apropriações e incorporações de valores simbólicos de bens religiosos e de consumo exigidos pelas demandas da sociedade midiática.
A religiosidade popular, desde a antiguidade, sempre foi alimentada pela criatividade, pela espontaneidade e pela aculturação dos seus seguidores que, através dos longos anos de peregrinações rumo aos lugares sagrados, contavam as histórias de vida nas feiras, nas procissões, nos pagamentos de promessas, nas festas religiosas da piedade popular e em tantas outras atividades da vida cotidiana fortemente marcada com a presença da igreja na Idade Média.
Os peregrinos sempre operaram estratégias de comunicação nas extensas redes mnemônicas da oralidade, muitas vezes dissimuladas, astutas, camufladas, como táticas de convivências e de conveniências, quando necessário, mas nunca desatentos, resistindo e interpelando os fatos mesmo entre “a cruz e a espada” da dominação da igreja no período medieval na Europa. Portanto, os processos de atualizações das festas religiosas sagradas e profanas são tão antigos quanto a própria expansão do cristianismo na Península Ibérica.
As datas das celebrações festivas, sagradas e profanas dos santos e santas do catolicismo popular, na atualidade passam por importantes transformações que vêm desde os ritos dos povos nômades – peregrinos – a caminho da ocupação da Terra Santa de Israel e que se expandem pelos caminhos rumo a Santiago de Compostela. As redes mnemônicas de comunicação, assim como as redes folkcomunicacionais continuam influenciando nas estratégias de importantes transformações nas práticas religiosas e profanas da piedade popular dos povos ibéricos desde a Idade Média, consequentemente do povo brasileiro e agora mais do que nunca na Idade da Mídia.