sábado, 22 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Nordestinos, o Brasil em busca de soluções
Vale a pena ver de novo?
O Jornal Nacional da Rede Globo no dia
21 de novembro exibiu mais uma reportagem da série JN no Ar com o repórter
Pedro Bassan mostrando os efeitos da seca em diferentes cidades do Nordeste. E
qual era a novidade da reportagem. A distribuição de água por carros- pipa? A
mortandade dos animais vítimas da sede e fome? A fuga do sertanejo sofrido para
outras regiões? A falta de decisões políticas? Qual era mesmo a novidade? Nada
disso é novidade, são coisas que acontecem há muitos anos e todas as vezes que o
semiárido é atingido por mais um período de seca tudo isso volta à tona. A seca
se repete regularmente no Nordeste e quase nada muda. A única novidade na
reportagem é a qualidade das imagens que atualmente são exibidas em HD.
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| Fonte: Relatório "Nordestinos", Rede Globo/1984 |
Em
1984, há 28 anos, a Rede Globo primeiro lançou uma campanha Nordestinos, Urgente, que
tinha como objetivo a arrecadação de alimentos e água para matar a fome e a
sede dos que estavam sofrendo com mais um longo período de seca. Foi uma
comoção nacional e toneladas de donativos chegavam ao Nordeste para minimizar,
mesmo que temporariamente, a fome e a sede dos nordestinos pobres do semiárido.
A equipe responsável pela campanha Nordestinos,
Urgente ao avaliar os resultados da mobilização nacional de doações,
verifica que são efêmeros, emocionais, assistencialistas e nada mudaria a curto
ou longo prazo a situação na região. Ou seja, o problema no Nordeste não seria
resolvido apenas com doações de alimentos e água temporariamente, ou com
subsídios, com obras emergenciais ou até mesmo com esmolas.

No mesmo ano a Confederação Nacional dos
Bispos do Brasil publica um documento denunciando a miséria, as ameaças
constantes de genocídio do povo nordestino, a inoperância das autoridades e dos
programas oficiais.
Frente à situação pela qual passava o
Nordeste em 1984 a Rede Globo de Televisão lançou o projeto Nordestinos: O Brasil em busca de soluções. E teve o apoio de 11
universidades nordestinas na sua execução. Nessa época eu fazia mestrado em
Administração Rural e Comunicação Rural na Universidade Federal Rural de
Pernambuco/UFRPE, um das universidades envolvidas no projeto e como aluno
fiquei interessado em acompanhar a mobilização liderada pela Rede Globo de
Televisão. O projeto teve o seu lançamento em cadeia nacional com o
pronunciamento do Arcebispo do Rio de Janeiro Dom Eugênio Sales, nordestino do
Rio Grande do Norte, que conhecia os problemas do semiárido. Foram 50 dias de
atividades no campo com a participação de professores, pesquisadores e
técnicos, das universidades conveniadas, que percorreram 7.700 quilômetros
coletando informações sobre os efeitos da seca em oito estados e vários
municípios do semiárido.
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| Fonte: Relatório "Nordestinos", Rede Globo/1984 |
O trabalho de campo teve como objetivo coletar
testemunhos, opiniões e informações de autoridades e especialmente do povo,
mais de seis mil pessoas contaram suas histórias sobre a miséria, a fome e o
abandono do semiárido pelas autoridades, sobre as questões da terra e as
relações de trabalho, sobre as famigeradas frentes de emergências, sobre o uso
da água, das novas tecnologias e dos agrotóxicos, sobre as questões da
comercialização e cooperativismo, sobre o crédito agrícola, sobre a educação, a
saúde, a nutrição e sobre tantos outros problemas.
O relatório do projeto Nordestinos: o Brasil em busca de soluções,
lá nas suas conclusões afirma:
A
população sertaneja está cansada de promessas e frustrações Quando se fala em
falta de decisão política para resolver os problemas urgentes dos sertões,
estranha-se. Afinal de contas, nos últimos anos, o Nordeste tem tido um peso
politico considerável dentro do partido governista e seus representantes têm
ocupado cargos importantes. A Prova dos Nove foi feita: não basta ter
representação política formal: é preciso a mobilidade de todos. Sem mobilização
democrática não haverá transformação social. Esta é a política que os sertões
precisam: participação e cidadania (Projeto
Nordestinos: o Brasil em busca de soluções. Relatório de Viagem ao Sertão. Rede
Globo, 1984, p. 26).
Nessa nova série de reportagens sobre o
Nordeste o Jornal Nacional (TV Globo), agora no dia 26 de novembro, mostrou ao
Brasil o desperdício de recursos públicos na tão esperada obra de transposição
do Rio São Francisco. O que estamos assistindo no Jornal Nacional é um retorno
ao passado e que não é simulacro, não se trata de ficção é a pura realidade. O
documento então publicado, há 28 anos atrás, pela Rede Globo e as 11
universidades nordestinas continua atual e os debates sobre os problemas no
Nordeste e especialmente no semiárido se repetem. Ou seja, passaram os anos e quase
nado mudou e a nossa esperança está na nossa fé, como enfatizou a ministra do
Planejamento Miriam Belchior (...) que as pessoas não percam a confiança. Aquele pessoal tem fé. E o que
eu posso dizer pra eles é que a água vai chegar, sim, em 2015.
Ah! Bom, então tá, com fé esperamos.
Agora que se aproxima o fim de 2012,
vale a pena ver de novo tudo que o JN nos mostra em rede nacional, a pior seca
dos últimos 30 anos. Plimplim!!!
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Os 249 anos da Romaria da Penha
Nos últimos anos venho estudando
diferentes festas tradicionais populares brasileiras, religiosas e profanas, no
contexto da sociedade midiática e da folkcomunicação com o objetivo de
compreender os novos significados dessas celebrações na atualidade.
Há centenas de anos o homem comemora os seus ritos
de passagem, relembra as suas datas festivas, sagradas e profanas. Essas
evoluções e evocações chegam até os dias atuais incorporadas aos nossos
calendários de tradição religiosa e festiva do catolicismo popular no Brasil e
especialmente no Nordeste. Ao longo do tempo essas práticas sempre fizeram parte dos
processos das transformações culturais e religiosas da sociedade humana, das
suas relações simbólicas entre a realidade, a ficção e o lúdico, dando origem
aos diversos protagonistas e suas performances nos festejos populares.

As festas populares tradicionais são
acontecimentos identificadores dos fatos locais, são celebrações das diversas
relações sociais vivenciadas pela comunidade nos territórios sagrados e
profanos. O ser humano é um realizador de festas, portanto, a festa é parte
essencial para as relações sociais e é através das festas que se divulgam e organizam
as suas culturas e as suas memórias. É nas observações e nas interpretações das
festas populares que se descobre os códigos, as regras e os estatutos
construtores do ensinar e aprender as diversidades da cultura brasileira,
consequentemente, o desenvolvimento da identidade de um povo. As festas
populares passaram e ainda passam por importantes transformações culturais nos
diferentes momentos da história da sociedade. Num passado mais remoto com a
instituição da quaresma, depois com as navegações e os grandes descobrimentos
de novas terras e na contemporaneidade com a globalização cultural
proporcionada pelas novas tecnologias da comunicação, dos negócios do turismo e
dos acontecimentos midiáticos.
Neste final de semana acontece uma das mais importantes festas populares tradicionais da Paraíba, a Festa da Penha com os seus 249 anos de história e devoção demonstrada pelos mais de 300 mil fiéis, conforme estimativa da Policia Militar, que em romaria saem da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes na noite do sábado (24), num percurso aproximadamente de 12 quilômetros, rumo ao Santuário de Nossa Senhora da Penha, localizado na praia do mesmo nome, e chegada prevista na madrugada do domingo. São inúmeros os devotos que caminham rumo ao santuário levando as suas oferendas para depositarem na Sala dos Milagres em agradecimento a Nossa Senhora da Penha pela graça alcançada. Ou seja, entregam o ex-voto que é a materialização da promessa cuja graça foi alcançada. O ex-voto significa o agradecimento do fiel a um Santo ou Santa pela cura de doenças, de vícios, pelo casamento, por conseguir emprego, ter passado de ano nos seus estudos, por adquirir uma casa, um carro ou uma moto e tantas outras coisas. 
Enfim, o pagamento de promessa é uma manifestação de caráter religioso
vinculada a uma atividade extraordinária daquilo que foge às práticas da vida
cotidiana, materializando os pedidos através de representações em artefatos de
cerâmica, de gesso, de parafina, ou em formas de cartas, bilhetes, fotografias,
pinturas, desenhos, e orações publicadas nos jornais e outras diversidades de
manifestações artísticas culturais.
A Romaria de Nossa Senhora da Penha aqui em João Pessoa, mesmo com a globalização cultural, é um importante exemplo de que a devoção popular e a tradição da festa religiosa e profana não se acabam com as novas significações culturais midiatizadas pelas novas tecnologias da comunicação. A revitalização das festas tradicionais é mais uma demonstração que a cultura popular não só é de resistência ao tempo, mas também de interpelação e de incorporação, em diferentes estâncias de espaços, de valores das culturas contemporâneas. Melhor dizendo ao invés da tão propagada visão apocalítica de alguns que pregam o fim das manifestações tradicionais populares, provocadas pela globalização, assistindo na atualidade o ressurgimento dessas manifestações tradicionais e mais uma vez digo o exemplo é a Romaria da Penha que em 2013 completa 250 anos e com certeza mais viva e forte porque esse é o desejo do povo devoto de Nossa Senhora da Penha.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Hoje aos 65 anos
Hoje completo 65 anos de vida e bem
vivida nos diferentes campos de experiências de quem nasceu em Patos, no sertão
seco, mas festivo e solidário, de quem passou
toda a infância e adolescência entre Patos e a Paria do Poço, aqui em Cabedelo.
Foram experiências, tempo e espaço do sertão e tempo e espaço do litoral, que
me ajudaram, e muito, a consolidação da minha vida de adulto. Agora estou em
pleno direito de gozo das garantias do Estatuto do Idoso, ainda pouco respeitado,
mas hoje conquisto esse direito pleno.
São 65 anos, bem vividos e que agradeço
a Deus, aos meus pais Carlos e Leonor e titia Amélia (in memória), aos meus
irmãos e irmãs, também a Mário e Alberto (in memória), aos meus amigos, agradecer
a Rosinha companheira de 34 anos, aos meus dois filhos Antonio Carlos e
Osvaldinho.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
O dia do professor e a federalização do ensino básico
Jesus, Maria e José!!!
Quase me passou despercebido que o dia
15 de outubro é o dia do professor, é feriado escolar, até porque na mesma data
se comemora, também, o dia do comerciário e aí realmente para quase tudo:
shopping, as lojas de grandes e pequenos negócios, supermercados, etc. A
convergência das duas celebrações com o comércio e a escola fechada fica
parecendo com o feriado da Sexta-Feira Santa, ou seja, quase tudo parado. Mas,
não sei por que só vinha na minha cabeça o feriado do comerciário e logo eu um
professor aposentado com mais de 30 anos de atividade na universidade quase esqueci
o dia do professor.
Mas, foi o pronunciamento do senador Cristovam
Buarque na tribuna do Senado que me fez lembrar o dia do professor. O senador
falou mais para os telespectadores da TV Senado do que para os seus pares, mas
falou com toda a convicção do seu projeto de federalização do ensino básico, na
melhoria salarial e das condições de trabalho do professor. No seu pronunciamento o
professor e senador fez comparações do ensino no Brasil com outros países de
economia e renda próximas ou mesmo inferiores a nossa, mas que destinam mais
recursos e melhores políticas de ensino/educação.
O projeto de lei do senador, o PLS
320/08, que tramita na Comissão de Educação do Senado prevê a criação da Carreira
Nacional do Magistério e o salário de nove mil reais para professores e aumento
de gastos por aluno. É sem dúvida um projeto importante para a melhoria
quantitativa e qualitativa da educação do Brasil e que prevê ao longo de 20
anos uma verdadeira revolução civilizatória do país.
Jesus,
Maria e José,
se não fosse esse pronunciamento do professor senador teria esquecido do dia da
minha categoria!
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Radiotevê: a Nova Era do Rádio aos 90 anos
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| Acervo Pessoal |
Uma
das grandes revoluções da comunicação mundial foi o surgimento do rádio no início
do século 20 com a histórica transmissão em 1901 entre a Europa e os Estados
Unidos. Nos anos 30 do século passado o rádio já era um importante veículo de
propaganda política usado pelo Presidente dos Estados Unidos Franklin
Roosevelt, por Hitler na Alemanha e por tantos outros. Nos anos 40 e 50 do
mesmo século o rádio consolidava-se como importante veículo de comunicação em
várias partes do mundo.
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| Caubi Peixoto (acervo pessoal) |
A
primeira experiência de transmissão radiofônica no Brasil ocorreu em 1922, nas
comemorações do centenário da independência com o pronunciamento do então
Presidente Epitácio Pessoa. Mas, o Brasil entra, verdadeiramente, na Era do Rádio
no período do Estado Novo que vai de 1937 a 1945 quando Getúlio Vargas cria o
Departamento de Imprensa e Propaganda-DIP. Até meados da década de 1960 o rádio
viveu o período denominado da Era de Ouro e a partir daí, começa a perder
audiência para a televisão quando é anunciada a morte do rádio para esse novo
veículo de comunicação que tinha som e imagem e o rádio seria passado para
trás, diziam que não haveria mais espaço para o rádio.
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| Emilinha Borba (acervo pessoal) |
O
rádio recebeu anúncio de morte em diferentes épocas da sua história, sempre
sobreviveu e agora está mais vivo do que nunca. Com o surgimento da televisão a
Era de Ouro do Rádio passou a ser a era da TV e mais uma vez a morte foi
anunciada como quadro irreversível. Era a sua morte cerebral, a sua morte tecnológica,
os conteúdos e os profissionais seriam transferidos para o novo veículo de
comunicação que empolgava o Brasil. Os anos se passaram e mais uma vez o rádio
saiu da UTI.
| Jornal Gente com Joelmir Beting, Rafael Colombo e Salomão Ésper |
Não se justifica mais que o apresentador do programa
de rádio diga: pena que não seja TV para
o ouvinte ver isso ou aquilo. No “radiotevê” a audiência não é mais só de ouvintes,
é ao mesmo tempo de ouvintes e telespectadores. Isto é, os constituintes da
audiência dos programas radiofônicos não são mais só ouvintes, agora são
“teleouvintes”, e realmente é um novo prazer, uma redescoberta ouvir e ver esse
rádio que se espalha mundo afora. O “radiotevê” prolifera nas diferentes redes
para atender a sociedade midiatizada que cada vez mais está disponível para a maioria dos brasileiros.
| Apresentadores Josival Pereira e Cláudia Carvalho (João Pessoa/PB) |
Nem Roquete Pinto imaginaria tanto. Parabéns ao jovem rádio brasileiro.
domingo, 24 de junho de 2012
Repercussão do post A Festa dos Bugios
O artigo
“A Festa dos Bugios: uma celebração carnavalesca do São João em Portugal” tem repercussão
internacional e é destaque no Blog oficial da Casa dos Bugios.
O professor doutor, pesquisador e dirigente da festa de Sobrado, Manuel Pinto, destaca: "Talvez a
mais extraordinária Festa de São João e uma das mais expressivas manifestações
da cultura popular portuguesa" - é assim que classifica a Festa de Bugios
e Mourisqueiros um dos maiores actuais especialistas de culturas populares do
Brasil, que esteve em Sobrado na festa de 2011.”
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