sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cidade Templária portuguesa festeja Santa Iria

Praça da República
A cidade de Tomar tem cerca de 15 mil habitantes, pertence ao Distrito de Santarém,  fica a 138 km de Lisboa e 31 km de Fátima, tem no seu patrimônio histórico  o  Castelo de Tomar, o Convento de Cristo e  a Igreja de Santa Maria dos Olivais, importantes monumentos do simbolismo da Ordem Templária em toda a Europa. Andando pela cidade, em cada rua, beco e esquina, encontramos igrejas, casas, tabernas, tascas, praças e pontes sobre o lendário rio Nabão, que nos levam a um passado que remonta à Idade Média.
Igreja São João Batista
Tomar é uma cidade onde o antigo e o novo convivem na atualidade, possibilitando aos visitantes conhecer vendo e até degustando períodos importantes da história de Portugal. Rica, em quantidade e qualidade, de bens culturais materiais e imateriais, destaca-se pela sua gastronomia diversificada especialmente pelos vinhos e os doces conventuais. Três grandes festividades são celebradas na cidade: a Festa dos Tabuleiros, do Círio de Nª. Senhora da Piedade e a Feira de Santa Iria. 
Em 2011, ano da realização de mais uma Festa dos Tabuleiros, eu estava em Tomar, agora em 2014 volto para ver a Festa de Santa Iria, sua padroeira, realizada de 17 a 26 de outubro.

Assim como no Brasil as festas populares tradicionais portuguesas têm as diversões profanas e as celebrações religiosas e a de Santa Iria não poderia ser diferente. Visitei a feira de frutos secos, a feira agrícola, fui aos carroceis, às tascas, tomei vinho com castanhas assadas, com uma boa bifana no pão (sanduiche de carne de porco) e tudo transcorreu num belo dia de verão em pleno outono. Um veranico de Santa Iria para uns e para outros um veranico de São Martinho. 
Mas, foi a procissão de Santa Iria que mais me interessou não só  pela sua singularidade, mas pela demonstração de fé e do cuidado que os  tomarenses têm com as suas tradições.


A PROCISSÃO

A celebração religiosa no dia 20 de outubro, dia de Santa Iria, começa às 10 horas com a missa solene na igreja de São João Batista. Em seguida, por volta das 11 horas, tem início a procissão de Santa Iria, que saindo da Praça da República percorre as principais ruas da cidade até a capela de Santa Iria que fica na margem do rio Nabão.
O cortejo que conduz a santa é acompanhado por várias autoridades eclesiásticas, civis, militares, centenas de crianças das escolas do concelho e são elas que chamam mais atenção da passagem da procissão. Acompanhadas pelas professoras e professores, as crianças, levando nas mãos ramos de flores ou cestinhos cheios de pétalas que são lançadas no rio Nabão de cima da Ponte Velha que está próximo da capela de Santa Iria e bem em frente da famosa “Janela de Santa Iria”, a guardiã da cidade. 
Esse é o momento mais esperado pela população, principalmente pelos turistas e pela mídia. Ainda acompanha o cortejo um Rancho Folclórico de Minjoelho, de uma das Freguesias de Tomar que, cantando, narra a lenda do martírio de Santa Iria, na procissão simbolizado pela inocência e pureza das crianças, tornando-se um momento de grande expectativa e de alegria para todos que acompanham a procissão ou vão apenas para ver as crianças jogarem  flores no rio Nabão.  O cortejo com o andor da Santa Iria para na Ponte Velha com a imagem de frente para o rio Nabão e o Rancho Folclórico continua cantando  a música tradicional de Santa Iria onde a 
população fica assistindo as crianças jogando  flores no rio na parte próxima  a Janela de Santa Iria e aos poucos as flores são levadas pela correnteza rio abaixo. Podemos observar que durante todo o dia ainda havia flores sendo levadas pela correnteza, é um espetáculo ver as águas do rio Nabão coloridas pelas pétalas de flores jogadas pelas crianças.  A procissão termina quando o andor com a santa entra na capela ovacionada por todos, o canto do Rancho Folclórico de Minjoelho e com os agradecimentos do Padre Mário Duarte às autoridades e aos fieis presentes.  














Ao turista brasileiro que viaja a Portugal e vai ao Santuário de Fátima recomendo que não deixe de visitar a cidade Templária de Tomar onde conhecerá, também, acontecimentos que influenciaram a nossa história.



terça-feira, 27 de maio de 2014

Altimar, um garimpeiro de Estórias Populares

A Prefeitura Municipal de Cabedelo abriu oficialmente, nesta terça-feira (27/05/2014), no Teatro Santa Catarina, o Ano Cultural Altimar Pimentel, para o qual fui convidado para fazer a conferência de abertura e contar um pouco da história da minha vivência e convivência com Altimar no decorrer de nossa missão nas pesquisas da cultura popular e do folclore, por mais de 20 anos. O evento de abertura também contou, entre outros, com a presença do presidente da Comissão Nacional de Folclore, professor Severino Vicente (RN), do prefeito Wellington Viana França, da secretária de Educação, professora Clecy Alves de Vasconcelos, do assessor geral  professor Neroaldo Pontes e da professora Cleide Pimentel, representante da família do homenageado.
Sobre Altimar, escrevi:

Era uma vez

A Paraíba sempre teve uma tradição de grandes estudiosos e pesquisadores do nosso folclore e da nossa cultura popular, poderíamos listar vários desses importantes pesquisadores paraibanos que continuam sendo citados em trabalhos publicados no Brasil e no exterior. Entre tantos pioneiros, destacamos aqui o trabalho de Altimar Pimentel, paraibano por adoção e de coração, assim ele gostava de ser denominado. 

Caminhos dos garimpos: novas descobertas

 Altimar de Alencar Pimentel nasceu em Maceió, no Estado de Alagoas em 30 de outubro de 1936 e faleceu em João Pessoa a 21 de fevereiro de 2008. Fixou-se na Paraíba em 1952, foi professor, jornalista, dramaturgo e pesquisador da cultura popular, Exerceu vários cargos na administração pública e aqui destaco a sua atuação na UFPB como professor e pesquisador no Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular/NUPPO e no Curso de Comunicação Social.
1978 - Seminário sobre Folclore e Turismo na UFPB
No seu trabalho de pesquisa nas áreas do folclore e da cultura popular, mais especificamente o projeto Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba, que coordenou por quase três décadas, coletou um acervo significativo em quantidade e qualidade de contos populares.
Entre as muitas contribuições de Altimar Pimentel à cultura paraibana destaca-se a pesquisa e o estudo dos contos populares que se encontra no acervo do NUPPO/UFPB.

Altimar participou ativamente da criação do Museu do Folclore que posteriormente passou a ser o NUPPO, assim como da implantação do Curso de Comunicação Social da UFPB, hoje o Departamento de Comunicação e Turismo – DECOMTUR. Foi também responsável pela reativação da Comissão Paraibana de Folclore e pela coordenação do II Encontro de Folclore da Paraíba, realizado aqui em Cabedelo em 1977, que teve como tema central o estudo e a pesquisa dos contos populares. Colaborou na organização da IV Festa do Folclore Brasileiro, realizada em João Pessoa em agosto de 1978, I Encontro de Folclore da Paraíba em Pombal realizado em outubro de 1976, no período da tradicional Festa do Rosário.

A descoberta do tesouro: Luzia Teresa e Tia Beta

Na atualidade, aqui no Brasil, qualquer estudo ou mesmo notícia sobre contos populares tem que fazer referência ao trabalho desenvolvido pela equipe coordenada por Altimar Pimentel na UFPB através do NUPPO e principalmente as narrativas deixadas por Luzia Teresa.
      
A grande descoberta da Jornada de Contadores de Estória da Paraíba, sem dúvida, foi a narradora Luzia Teresa que chegou a contar 242 estórias diferentes e passou a ser considerada, por especialistas brasileiros, uma das maiores narradoras de contos populares do Brasil e, possivelmente, do mundo.

Altimar reúne 242 contos narrados por Luzia Teresa em cinco volumes publicados pela Editora Thesaurus e pela UFPB.

No II Volume de Estórias de Luzia Teresa, o argentino Felix Coluccio, escritor e estudioso da cultura popular latino-americana, falando da importância dos estudos de Altimar Pimentel sobre Luzia Teresa diz:
Por fim, gravado tudo o que ela acumulava em sua privilegiada memória, estudados todos os contos que há muitos anos estavam em sua lembrança, Pimentel os foi ordenando e, ainda mais, numa tarefa verdadeiramente ciclópica, fez o estudo de cada uma das estórias, revelou sua dispersão universal, e além  disso, traçou seu itinerário e enquadrou cada uma delas nos tipos correspondentes à classificação de Aarne e Thompson, confirmando simplesmente que versões similares foram documentadas na Europa, Ásia e América,  como Pimentel já nos fizera conhecer antecipadamente.

Ainda no II Volume, Bráulio do Nascimento, como presidente do Instituto Nacional de Folclore e Presidente da Comissão Nacional de Folclore, ressaltando o valor de Luzia Teresa para a posteridade, sua importância como artista popular e pelo domínio que tinha em narrar as estórias de reis, rainhas, príncipes e princesas, das lutas entre o mal e o bem, ora fazendo os constituintes da recepção de suas narrativas rirem ou chorarem. Assim diz o professor Bráulio do Nascimento: 
Luzia Teresa, contando suas estórias ilustradas por uma gestualidade peculiar, de que não se perde a imagem, teria surpreendido e tranquilizado Herder com uma recolha tão significativa, dois séculos depois de seu alerta. Era uma mulher frágil, que se transfigurava na companhia dos reis, rainhas, príncipes e princesas, num convívio natural, descrevendo palácios e carruagens, como se houvera circulado pelos salões ou passeado nas carruagens.

Altimar deixa um legado para muitas gerações de estudiosos, de pesquisadores. Luzia Teresa se foi, mas graças ao trabalho de Pimentel, com o apoio da UFPB através do NUPPO, a sua memória, o registro da sua voz e de suas gestualidades em fotografias estão disponíveis para gerações e gerações de estudiosos e pesquisadores do folclore e da cultura popular.
O mesmo aconteceu com Tia Beta, e Altimar revela para o mundo uma das maiores romanceiras populares da nossa história. Tia Beta deixou em filme e CD as suas estórias de Trancoso, de reis rainhas, de bichos que falam como gente, do bem e do mal.  

Pombal (1976) - Cabedelo (1977)


Aqui estiveram nesses encontros pesquisadores como Theo Brandão (AL), Bráulio Nascimento (RJ), Ruth Terra (SP), Vicente Sales (PA), Deifilo Gurgel (RN), Verissimo de Melo (RN), Saul Martins (MG), Domingos Vieira (MA), Luiz Beltrão (DF), Roberto Benjamim (PE), Ricardo Noblat (PE), Mario Souto Maior (PE), Fernando Freyre (PE), Neuma Fechine (UFPB), Socorro Aragão (UFPB), Willis Leal (PBTur), José Nilton (UFPB), Paulo Melo (PB)  e tantos outros importantes nomes dos estudos e das pesquisas do folclore brasileiro.

Também nesse encontro foi lançado o LP Nau Catarineta de Cabedelo, um importante documento discográfico desse folguedo que teve como idealizador e coordenador Altimar Pimentel. Melhor dizendo, tivemos o lançamento de dois documentários o LP produzido pela Marcos Pereira/FUNARTE e o compacto da série documentos sonoros produzidos pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, também sobre a Nau Catarineta de Cabedelo.

Altimar atuou, com competência, em várias frentes, mas foi como um verdadeiro garimpeiro em busca de um tesouro quase desconhecido pelas universidades brasileiras e, por isso, um pioneiro na pesquisa e documentação das estórias contadas pelo povo paraibano, do litoral ao sertão. As estórias do mundo fantástico que até encantam os nossos sonhos.  

No projeto Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba, criado em 1977 com o apoio do professor Iveraldo Lucena, então Pró-Reitor para Assuntos Comunitários/PRAC/UFPB e de Carmem Isabel e Silva, coordenadora da COEX/UFPB, Altimar iniciava a sua caminhada em busca de contadores de estórias nas diferentes regiões do estado.

Era um fato inédito e até inusitado na época, para o que se chama de pesquisa acadêmica, e aí não podemos deixar de citar a importância de todos esses processos de aproximação da UFPB com o folclore e a cultura popular no reitorado do professor Lynaldo Cavalcanti. O professor Neroaldo Pontes, num período mais recente, também deu a sua contribuição quando Reitor da UFPB.

A Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba, que também teve o apoio da Fundação Nacional de Artes/FUNARTE, da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro coordenada pelo professor Bráulio Nascimento, órgãos do então Ministério da Educação e Cultura, posteriormente veio a se tornar um dos mais importantes projetos de coleta de contos populares do Brasil e até hoje continua sendo uma referência para estudiosos e pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

O acervo de contos populares do NUPPO é constituído por cerca de 300 narradores de estórias de 27 cidades paraibanas, que resultou em aproximadamente 1.600 contos gravados, transcritos e, quase na sua totalidade, publicados – Jornada de Contadores de Estórias.

A preocupação de Altimar não era só a coleta dos contos mas, também, realizar estudos e fazer a divulgação para chegar ao maior número de pessoas interessadas no gênero narrativo e isso foi realizado.

Com o sucesso da publicação das estórias em caixas veio em seguida a publicação pelo programa Biblioteca da Vida Rural Brasileira em 1981 – um dos projetos do Programa Nacional de Ações Socioeducativas e Culturais para o Meio Rural/PRONASEC-RURAL, do Ministério da Educação e Cultura/MEC.

O projeto tinha como objetivo a seleção e a adaptação de textos que serviam como complemento – transversal – de incentivo ao aluno, a fim de criar e consolidar hábitos e habilidades de leitura, atentando-se para a realidade sócio-econômica-cultural da área de sua abrangência.  

Altimar continua a sua jornada com as publicações pela Editora Thesaurus com o livro Estórias de Cabedelo com 27 contos narrados por 13 contadores, todos da cidade de Cabedelo. Publica o I Catalogo Prévio do Conto Popular da Paraíba, também, dedicado aos contos coletados aqui em Cabedelo.
 
Na sua análise sobre os contos populares Altimar lembra que os grandes autores de obras literárias universais tiveram como fonte os contos, os mitos e as lendas, matéria-prima que já vem da tragédia grega, do teatro da Idade Média e do Renascimento.  Altimar chama atenção para a importância que tiveram os contos, os mitos e as lendas em autores como Shakespeare, Goethe, Bertolt Brecht e para diversos autores brasileiros e entre tantos os paraibanos José do Lins Rego e Ariano Suassuna.

Como professor, pesquisador do nosso folclore e da nossa cultura popular mas, sobretudo, como coordenador do NUPPO, eu tive o privilégio não só de participar das pesquisas de Altimar, mas também de apoiar no que foi possível para o melhor desenvolvimento do projeto da Jornada de Contadores de Estórias da Paraíba. Essa contribuição ganha visibilidade com a publicação do livro Contos Populares Brasileiros – Paraíba (Recife, Fundação Joaquim Nabuco – Editora Massangana, 1996). Na coletânea que coordenamos foram publicados 87 contos, contados por 56 narradores de 15 localidades diferentes do Estado da Paraíba.

O projeto do Conto Popular e Tradição Oral no Mundo de Língua Portuguesa, coordenado por mim e Altimar Pimentel, resultou de um Convênio celebrado entre o Brasil e Portugal, por ocasião da visita do então Presidente da República Portuguesa Mário Soares à Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, Pernambuco, em 1987 e na primeira etapa o projeto seria desenvolvido no Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O projeto brasileiro foi dividido em subprojetos compreendo inicialmente nove Estados e a Paraíba foi incluída nessa primeira etapa graças ao trabalho anteriormente desenvolvido por Altimar no NUPPO.

São várias as opiniões de importantes estudiosos e pesquisadores dos contos populares sobre o trabalho desenvolvido por Altimar Pimentel e sem dúvida a coleta, a divulgação e o estudo do conto popular na Paraíba inserem-se no contexto da cultura do local e como linha de pesquisa da Universidade Federal da Paraíba, através do seu Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular/NUPPO. Mas, não foi fácil incluir não só o conto popular neste contexto da pesquisa acadêmica, mas o folclore e a cultura popular numa perspectiva mais abrangente, por serem vistos como objeto lúdico, exótico e sem maiores interesses para o mundo acadêmico.

Nas décadas de 70 e 80 do século passado vivemos períodos de patrulhamentos ideológicos, por determinados segmentos da universidade, éramos mencionados como professores e pesquisadores de segunda “categoria” pela ocupação do nosso tempo com estudos das manifestações folclóricas e das culturas populares.

Atualmente vejo com satisfação o resultado de todo esse trabalho desenvolvido por arrojados estudiosos e pesquisadores que passaram pelo NUPPO, que contribuíram na construção de um acervo de diferentes manifestações culturais tradicionais. 
         
Assim foi Altimar Pimentel, um garimpeiro de estórias, professor, jornalista, dramaturgo, pesquisador do nosso folclore, da nossa cultura popular, alagoano de nascimento, paraibano por adoção e de coração.
Com o Prefeito Leto e o Presidente Severino Vicente/CNF

Esse é um pequeno testemunho de quem foi Altimar e, entrei pela perna de pinto e saio pela perna de pato, seu rei mandou dizer que eles contassem quatro.



A solenidade encerrou em clima de festa com os convidados e plateia cantando uma canção da Nau Catarineta de Cabedelo, Paraíba. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

XXXIX Encontro Cultural de Laranjeiras

Acredite se quiser, mas é pura verdade, em janeiro deste ano participei da edição 39 do Festival de Laranjeiras, um dos mais antigos e importantes encontros culturais, não só da cidade sergipana de Laranjeiras mas também do Brasil. Digo acredite se quiser por que é muito difícil um evento cultural no Brasil sobreviver tantos anos assim, entra governo sai governo e o evento continua com toda pujança e, eu tive a honra de participar de quase todas as edições desse evento. O Encontro Cultural de Laranjeiras pertence ao seu povo.
Durante o Encontro é realizado simultaneamente o simpósio que reúne importantes estudiosos e pesquisadores das nossas tradições culturais e uma das principais características é a participação dos mestres da academia e dos mestres portadores dos saberes populares.Ou seja, uma conjunção de ensinamentos e aprendizagens do conhecimento científico e do conhecimento popular.
Este ano o tema do simpósio foi a Cultura Popular: preservação e sustentabilidade. O tema central foi apresentado nos seus eixos temáticos em painéis de discussões, perspectivas e propostas para a valorização da cultura popular. Nessas discussões estiveram presentes, além da significativa participação do público, especialmente da comunidade local, Monica Silvestrin (IHPAN), Maria Augusta Vargas (UFS), Osvaldo Meira Trigueiro (Comissão Paraibana de Folclore/REDE FOLKCOM), Aglaé Fontes (FUNCAJU/SE), Eufrazia Santos (UFS), Beatriz Góis (SE), Rogério Lopes (UNISINOS/RS), Mesalas Santos (UFS), Veronica Nunes (UFS), Severino Vicente (presidente da Comissão Nacional de Folclore), José Fernando (PE) e Lélia Nunes (SC), Irineu Fontes (Secretário de Cultura de Laranjeiras), Mestre Zé Rolinha, Bárbara Cristina e tantos outros que contribuíram para o sucesso do evento. Não poderia deixar de citar a participação do Sayonar Viana e a realização da mesa especial em homenagem a Roberto Benjamin, que nos deixou há pouco tempo. Quantas lembranças temos também de Luiz Antonio Barreto, grande incentivador do Encontro Cultural de Laranjeiras.
Na mesa redonda que abordou o tema Caminhos das Festas populares: espetacularização e patrimonialização, dei a minha contribuição com o texto sobre as Festas Populares da Idade Média à Idade da Mídia.
Este ano um dos momentos mais agradáveis em Laranjeiras foi a recepção de Zé Rolinha, mestre comandante dos Lambe-Sujos e da Chegança, que nos ofereceu um almoço de Arraia acompanhada de pirão e da famosa cachaça "Bimba de Quati" que só ele faz e guarda a sete chaves o segredo de sua fabricação.
Parabéns Laranjeiras, parabéns ao povo de Sergipe pela continuidade desse importante encontro cultural. Mais uma vez agradeço aos organizadores do encontro e ao povo da cidade histórica sergipana de Laranjeiras.



domingo, 1 de dezembro de 2013

Feira do Troca em Olhos D'Água

Hoje é dia de festa em Olhos D'Água-GO, pequena localidade pertencente ao município de Alexânia-GO, distante cerca de 90 km de Brasília.
Este ano não pude estar presente na feira e por isso aproveito a data para relembrar a história desse evento idealizado pelo professor Armando Faria e Laïs Aderne. Registrei o depoimento do prof. Armando, em junho de 2012, na sua casa,  na véspera de mais uma Feira do Troca.





sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Enfim a aposentadoria


Colegas e amigos,
Estou me desligando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação - PPGC/UFPB  e agora assumo definitivamente e de fato a minha aposentadoria na UFPB, sim na UFPB, onde mesmo aposentado permaneci, por mais de três anos, como professor colaborador do PPGC.


De qualquer forma, não vou ficar de pijama sentado na cadeira esperando o tempo passar, continuarei atuando nas minhas pesquisas no campo da folkcomunicação e das culturas populares/folclore, dedicando mais tempo às publicações no meu "FolkMídia" sem me afastar dos eventos científicos e culturais e, com a colaboração dos associados, tentar a reativação da Comissão Paraibana de Folclore.


Agradeço a todos o apoio que sempre recebi nas minhas atividades profissionais nesses longos anos de convivência como professor e pesquisador, que muito contribuiu para o meu amadurecimento intelectual.
Cordial abraço do agora Professor Associado Aposentado da UFPB.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Patos comemora 110 anos de cidade

Hoje acordei com uma saudade danada da minha querida Patos, que chega aos 110 anos de elevação à categoria de cidade, como um importante polo de desenvolvimento do Estado e como sede Geoadmistrativa da 6ª Região que converge mais de 22 municípios. Patos, com seus mais de 100 mil habitantes é, também, um centro de referência de ensino médio e universitário, mas que ainda sente a falta de um museu e um teatro que dignifique a produção e divulgação artística da cidade e até mesmo da região.
Entravam prefeitos e saiam prefeitos, promessas e mais promessas eram feitas e a cidade ia ficando adulta e omissa em relação ao seu desenvolvimento cultural. Não podemos compreender desenvolvimento socioeconômico e educacional fora do contexto do desenvolvimento cultural. Ou seja, educação e cultura são coisas indissociáveis, estão imbricadas uma na outra.
Acordei sim, com uma saudade danada e por não estar lá para ser testemunha ocular da assinatura da Ordem de Serviço para a construção do Teatro Municipal Governador Ernani Satyro. São 110 anos de elevação à cidade e foi na casa da Rua Pedro Firmino de número 110, bem em frente ao Cine Teatro Eldorado, que nasci e passei um boa parte da minha vida, assistindo e dando a minha contribuição, mesmo que pequena, ao desenvolvimento cultural da minha querida Patos das Espinharas. Foi no Eldorado que com o Teatro Amador de Patos, e a colaboração e grande incentivo do “seu” Agripino Cavalcanti, encenamos várias peças como "Canudos", “Auto da compadecida”, “Cuidado senão eu conto”, “Morte e vida Severina”, entre outras.

Parabéns prefeita Francisca Motta por importante atitude. O seu nome ficará na história da cidade por muitas gerações e por corrigir essa lacuna na área cultural.