segunda-feira, 19 de março de 2012

Instituto Tobias Barreto instalado na Unit

O Instituto Tobias Barreto (ITB) agora tem como sede o segundo andar da Biblioteca Central da Universidade Tiradentes (Unit) em Aracaju, Sergipe. O pesquisador e historiador Luiz Antônio Barreto, fundador e dirigente do instituto, fez questão de destacar a importância dos familiares e amigos como apoiadores do projeto ao longo dos anos. O ITB tem uma história de 27 anos e mantém, em seu acervo, um memorial do filósofo sergipano Tobias Barreto.
Além disso, conta com mais de 30 mil itens – livros, fotografias, discos –, muitos deles com conteúdos sobre Sergipe.
A Unit está de parabéns por abrigar nas suas dependências o acervo do ITB possibilitando a professores, alunos e comunidade em geral o acesso aos mais de 30 mil itens do acervo do instituto por.
Veja mais:

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Festa de Carnaval





O Carnaval é uma das maiores festas populares do Brasil. Os seus preparativos começam logo após o término do ciclo natalino se estendendo até a quarta-feira de Cinzas. Nos três dias que antecedem o início do período da quaresma o mundo “vira pelo avesso”, são três dias de muitas festas, brincadeiras e fantasias.   Há uma inversão – permitida – da ordem social, são manifestações de fugas das normas do nosso cotidiano, dos padrões morais e da aceitação do grotesco. As pessoas fantasiadas de animais, de reis, piratas, pierrôs, colombinas, jardineiras, homens vestidos de mulher ou mulheres vestidas de homem. São os foliões que saem às ruas em blocos, troças, cordões e escolas de samba para festejar o ciclo momesco, para brincar o Carnaval e que, sem saber, estão repetindo tradições milenares que têm suas origens na Europa Ocidental.

O Carnaval da atualidade originou-se no Entrudo, festa remota, medieval, derivada das antigas Festas dos Loucos, dos Cortejos dos Loucos, onde nasceram os cordões vermelhos e verdes, surgindo mais adiante o cordão azul, até hoje presentes nos autos populares do folclore brasileiro.
O Carnaval é trazido para o Brasil pelos portugueses. As festas realizadas nos salões, nos teatros, os bailes de máscaras organizados pela aristocracia tiveram como inspiração o Carnaval de Veneza e da França.  A forma mais antiga de festejar o nosso Carnaval era o Entrudo, desde os tempos coloniais quando as brincadeiras aconteciam entre os cordões Carnavalescos e com a participação do povo.  
O Entrudo, no Brasil, manteve por muitos anos a sua origem européia, do jogo de mela-mela, da água de cheiro, da sátira à aristocracia e mesmo com toda a repressão policial as brincadeiras do Entrudo resistiram ao tempo e chegaram aos nossos dias.
 Até meados de 1800 havia uma nítida separação entre o Entrudo e o Carnaval. O primeiro tinha o sentido anárquico do “mundo pelo avesso” e o segundo – mais organizado – era uma festa para descontração das elites da época colonial.
O Entrudo chegou a tal ponto que as autoridades do Rio de Janeiro resolveram proibir.  O folclorista sergipano, Luiz Antonio Barreto no seu livro, Um novo entendimento do folclore, faz o seguinte registro: “O Entrudo guardou, no Brasil, a idéia de ser um jogo, tal qual nasceu. No Rio de Janeiro, por exemplo, o fiscal da Freguesia da Candelária, em 1853 assim se refere à festa: Fica proibido o jogo do Entrudo; qualquer pessoa que jogar incorrerá em pena de quatro a doze mil réis; e não tendo como satisfazer, sofrerá de dois a oito dias de prisão. Sendo escravo sofrerá oito dias de cadeia, caso o seu senhor não o mandar castigar no calabouço com cem açoites."  
Foi por volta de 1855 que o Carnaval ganhou as ruas, os intelectuais, os artistas e as pessoas próximas da Corte passaram a sair fantasiadas em carros alegóricos. A historiadora Lilia Schwarcz, no seu livro As barbas do Imperador, referindo-se ao Carnaval do Rio de Janeiro de 1855, quando a passeata do Congresso das Sumidades Carnavalescas saiu pelas ruas faz o seguinte relato: “Nessa data, uma comissão dirigiu-se ao Palácio de São Cristóvão a fim de pedir que D. Pedro II e as princesas estivessem no Paço da Cidade na ocasião da passagem do Congresso. O pedido foi atendido e o imperador assistiu ao desfile desse grupo seleto, do qual faziam parte vários ‘’homens de letras’’, como José de Alencar, Manuel Antonio de Almeida, Pinheiro Guimarães, Augusto de Castro, Lourindo Rabelo”.
No início do século passado já havia uma convivência do Entrudo com o Carnaval, as formalidades eram esquecidas no período da festa, como também as diferenças sociais, de idade e de sexo. Com a finalidade de transformar o Entrudo em uma festa mais branda, a aristocracia cria as Grandes Sociedades que saíam desfilando pelas ruas arrastando estudantes, jornalistas, artistas e escritores. Era uma tentativa de afrancesar o nosso Carnaval. Em resposta o povo cria os barulhentos blocos de Zé-Pereira, homens que no sábado saiam às ruas tocando grandes tambores e bombos anunciando a chegada do Carnaval.
É uma manifestação de origem portuguesa ainda muito popular no Norte de Portugal. Os foliões entoavam músicas de evocação ao período momesco: “Viva o Zé-Pereira/Que a ninguém faz mal/Viva o Zé-Pereira/No dia de Carnaval. Até hoje também acompanham as procissões e animam as festas locais. A festa de Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo, uma das mais tradicionais festas religiosas do Norte de Portugal é famosa pelos desfiles dos zé-pereiras.
O Carnaval da atualidade, com todas as modificações impulsionadas pela indústria cultural, guarda ricas manifestações das tradições culturais ibéricas, é ao mesmo tempo uma manifestação popular para animar o povo e um grande negócio para a indústria cultural.
É impressionante o poder de criatividade do povo brasileiro que cai na folia durante os três dias de Carnaval, esquecendo as amarguras da vida vestem-se de rei, doutor, padre, freira, lorde, de papamgu e de tantas outras fantasias.
Agora seria um grande equívoco pensar que todas as transfigurações do Carnaval são alienantes. É, na verdade, uma ocasião para extravasar as insatisfações, expulsar as mazelas sociais, de fazer crítica às autoridades, aos políticos e ao poder econômico, sem rancor e sem raiva mas com a maledicência e o jeitinho brasileiro. Qualquer semelhança do nosso atual Carnaval com os antigos festejos do Entrudo, trazido pelos portugueses, não é uma mera coincidência.





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Música de duplo sentido de Amazan faz sucesso em Portugal


Quim Barreiros faz sucesso nos bailes populares em Portugal com suas músicas de duplo sentido. Um dos grandes sucessos do cantor de música bimba portuguesa, nas festas juninas de 2011 foi "A Cabritinha", música dos brasileiros Amazan e João Gonçalves.

Veja a música cantada por Quim Barreiros:


Agora veja a música cantada por Amazan:

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Morre no Recife diretor-presidente do Hospital Albert Sabin

Alberto Vilar Trigueiro (meu irmão) de 75 anos foi vítima de falência múltipla dos órgãos. Velório acontece na unidade de saúde das 8h às 12h e o enterro será às 17h.

Morreu na madrugada desta terça-feira (31) o médico Alberto Vilar Trigueiro, 75 anos, atual diretor-presidente do Hospital Albert Sabin, localizado no bairro da Ilha do Leite, área central do Recife. De acordo com informações do irmão do médico, George Trigueiro, ele foi vítima de falência múltipla dos órgãos, devido a uma infecção respiratória. Ele faleceu na própria unidade de saúde por volta das 2h.

 “O corpo vai ser velado no Albert Sabin das 8h às 12h. Depois, o velório será no Cemitério Morada da Paz, na cidade de Paulista, no Grande Recife. O enterro está marcado para acontecer às 17h”, afirmou George Trigueiro.

Alberto Vilar Trigueiro foi um dos pioneiros do Polo Médico do Recife, sendo um dos fundadores do Hospital Albert Sabin, que funciona há 37 anos. Trigueiro era diretor do Alberto Sabin há mais de dez anos. Ele também foi diretor do Hospital Professor Bandeira Filho, em Afogados, bairro da Zona Sul do Recife, além doHospital Barão de Lucena, localizado no Cordeiro, na Zona Oeste da capital pernambucana.

Fonte: G1/Pernambuco

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Encontro Cultural de Laranjeiras

Com o tema central “Patrimônio cultural, consciência da preservação“ aconteceu no início deste mês, no estado de Sergipe, o XXXVII Encontro Cultural de Laranjeiras, uma das atividades mais importantes do município, que reuniu especialistas de várias regiões do país para debater assuntos ligados ao tema.

Atualmente este encontro é sem dúvida um dos mais importantes eventos para quem deseja conhecer e estudar as manifestações culturais tradicionais de Sergipe e porque não dizer do Brasil. Portanto, não pensei duas vezes em aceitar o convite de Marcelo Rangel, Secretário Adjunto da Cultura do Estado de Sergipe, e de Irineu Fontes, Secretário de Cultura de Laranjeiras, para fazer palestra sobre Festas populares tradicionais no contexto da sociedade midiatizada, integrando um dos painéis da programação que discutiu o tema “Patrimônio Cultural, turismo & mídia”.

São trinta e sete anos ininterruptos da sua realização e no decorrer desse tempo vem reunindo importantes estudiosos do nosso folclore, das manifestações tradicionais brasileiras.

O Encontro Cultural de Laranjeiras é um exemplo que deveria ser seguido por outras administrações públicas/privadas que tenham o objetivo de melhor compreender, apoiar e divulgar o nosso patrimônio cultural.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Então é Natal!

Mello Morais Filho, no seu livro Festa e Tradições Populares do Brasil, conta que o Presépio na forma de representação do nascimento de Jesus foi criado por São Francisco de Assis em Grécio no ano de 1223. No século XVI iniciam-se as dramatizações em torno dos presépios com dança e cantos populares em louvor a chegada do filho de Deus e assim se propagou pelo mundo cristão.

Câmara Cascudo, no Dicionário do Folclore Brasileiro, referindo-se ao presépio aqui no Brasil afirma que o Padre Fernão Cardim ao descrever os festejos natalinos de 1583 chama atenção pela importante participação popular. Em frente aos presépios os cantos e danças de adoração apropriados as festas natalinas decorriam desde a noite do Natal até o dia de Reis, conquistando, cada vez mais, a população brasileira e tornando, ainda hoje, a festa uma das mais significativas do nosso  tradicional calendário religioso popular. Essas manifestações folclóricas tão remotas deram formas e sentidos a danças e folguedos como a lapinha, o pastoril, a nau-catarineta, cavalo-marinho, bois-de-reis e tantas outras atividades culturais que se incorporam aos contextos regionais e locais.  

Na cidade de Olinda, estado de Pernambuco, é provável que o primeiro presépio tenha sido montado em 1635 pelo também franciscano Frei Gaspar de Santo Agostinho.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Piódão a Aldeia Presépio de Portugal


Fotos: Osvaldo Meira Trigueiro
e Rosa de Faria Trigueiro

Piódão é uma aldeia, fundada em 1676, na região Norte de Portugal, localizada no Concelho de Arganil, Distrito de Coimbra, entre a Serra da Estrela e a Serra Lousã, encravada na encosta da Serra do Açor, a uma distância de 345 quilômetros de Lisboa e 202 do Porto.  A sua origem vem desde a época medieval, sua população habita casas típicas da região construídas em pedras de xisto e lousa inclusive os telhados, classificadas como imóveis de interesse público. Piódão, também conhecida como “Aldeia Presépio”, integra o projeto Aldeias Históricas de Portugal que tem como objetivo desenvolver o turismo sustentável através de programas de valorização econômica de recursos endógenos. Atualmente o seu conjunto arquitetônico é totalmente preservado, mas integrado aos dias atuais com infraestruturas de redes de esgoto sanitário, de água potável, de energia elétrica e modernas redes de telecomunicações com o mundo globalizado.


Como Aldeia estava no caminho da antiga estrada que ligava Coimbra a Covilhã, por onde passavam os comerciantes vindos do litoral para o interior com mercadorias em cima dos carros de bois, com peixes e sal para negociar com os produtores de queijos, mel, vinhos e outras mercadorias agrícolas. Por sua localização de difícil acesso o Piódão ficou por muito tempo isolado do resto do país tronando-se um refúgio para foragidos da justiça ou da perseguição política. No Piódão viveram, por alguns anos, o famoso bandoleiro Zé do Telhado (uma espécie de Lampião português) e o fidalgo Diogo Lopes Pacheco um dos assassinos de D. Inês de Castro.
Há muitos séculos as encostas da Serra do Açor atraíam grupos de pastores que levavam os seus rebanhos para as ricas pastagens. Diz-se mesmo que esses pastores seriam os Lusitanos, hábeis criadores de cavalos que povoavam a região da Serra da Estrela.

Com a construção da estrada de acesso em 1972, a Freguesia do Piódão sai do isolamento e atualmente é um emergente destino turístico, histórico e cultural de Portugal. A aldeia tem uma urbanização com características medievais, as ruas são sinuosas nas beiras dos abismos da serra, tem temperaturas bastante frias no inverno, inclusive com muita neve e clima ameno no verão.  



Para chegar ao Piódão o visitante precisa subir a serra por uma estrada de 12 km com curvas sinuosas beirando os abismos de um lado e outro, descendo e subindo ladeiras como se fosse uma grande montanha russa, mas bem sinalizada e toda asfaltada. A viagem é uma aventura e em cada curva o viajante tem novas emoções ao admirar as belas paisagens da região. 


Na localidade o visitante encontra estacionamento, restaurantes, tascas típicas, áreas para piquenique, artesanato, centro de apoio aos turistas, museu etnográfico que conta a história de suas manifestações culturais tradicionais e um povo muito hospitaleiro. Uma das atrações é o passeio pelas ruelas para observar as casas de pedra e conhecer de perto as pessoas que nelas habitam e ouvir suas histórias.



Sem dúvida o Piódão é uma das mais bonitas aldeias históricas de Portugal. No Piódão o antigo e o novo convivem inseridos nos contextos folkmidiáticos que vale a pena conhecer. 







Asim é a bela Piódão.