O cantor e compositor brasileiro
Pierre Aderne está na etapa final do Festival da Canção Portuguesa um dos mais
importantes da Europa. É a primeira vez
que um cantor e compositor brasileiro chega à final desse importante festival
promovido pela Rádio e Televisão Portuguesa – RTP1, que é transmitido ao vivo
para várias partes do mundo e especialmente para os países de língua
portuguesa. Pierre, que é filho de português e da brasileira Laís Aderne,
ex-professora do Departamento de Artes da Universidade Federal da Paraíba,
passou boa parte da sua adolescência aqui em João Pessoa. Com a sua mãe foi
morar em Brasília, depois no Rio de Janeiro onde consolidou a sua carreira como
cantor e compositor e desde 2011 mora em Lisboa. Pierre, é um cidadão do mundo
nasceu em Toulouse na França quando seus pais, professores universitários,
faziam cursos de especialização. Também tem a cidadania portuguesa, mas
continua com um pé aqui no Nordeste e fincado nos torrões paraibanos. Por onde
passa faz questão de lembrar a influência da cultura nordestina na sua formação
musical e sempre destaca a importância de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson
do Pandeiro.
Com “Bandeira Azul” música de Tito Paris,
importante cantor e compositor cabo-verdiano e letra de Pierre Aderne eles
chegam ao segundo lugar numa semifinal da etapa do festival e agora aguardam a
etapa final que será no dia quatro de março na cidade histórica de Guimarães,
Portugal.
Pierre, define “Bandeira
Azul” como uma celebração: é a vitória da música cantada em português, uma
alegria para todos os países que falam a língua portuguesa”. A letra narra uma
história de amor, de um povo separado pelas águas do Atlântico, mas ao mesmo
tempo muito próximo pela língua que une culturalmente. A letra de Pierre Aderne
é uma convocação para uma reflexão nesses tempos de muita intolerância e
violência que se espalham pelo mundo.
Só para estar
perto de ti viajei
Tantas noites
madrugadas esperei
do teu lado
encontrei meu pais
onde a bandeira é
o amor
e a língua, ser
feliz
nas manhãs vive a
certeza desse amor
no verão tu és a
brisa, dezembro calor
quando ganho teu
abraço sou fortaleza
minha rua ganha
estrelas
minha vida, beleza
Bandeira Azul,
interpretada pela cantora portuguesa Maria Inês Paris, filha de um
cabo-verdiano e de uma portuguesa, toca nossos corações sem a apelação aos
sentimentos exagerados, mas que culturalmente aproxima pessoas que falam a
mesma língua. “Bandeira Azul” tem
grandes chances de chegar ao primeiro lugar do Festival da Canção Portuguesa e disputar
o Eurovisão, considerado o maior festival da canção do mundo, que este ano
se realiza em Portugal, pela primeira vez. Aqui estamos torcendo para "BandeiraAzul", de Tito Paris com parceria de Pierre Aderne e interpretação de Maria Inês
Paris.
O Encontro Cultural de
Laranjeiras talvez seja um dos eventos de estudo da cultura popular brasileira
de maior longevidade no Brasil. Há 43 anos acontece sem interrupção, entra
governo sai governo, em tempo de crise econômica, chova ou faça sol, o encontro
sempre acontece na histórica cidade de Laranjeiras no estado de Sergipe.
A cidade está localizada
na região Metropolitana de Aracaju, é de fácil acesso por automóvel ou
transporte coletivo e fica a cerca de 20 quilômetros do centro da capital de
Sergipe.
Laranjeiras é um museu a
céu aberto, como gostam de dizer orgulhosamente os seus habitantes, tombada
pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN desde 1996.
A cidade é banhada pelo rio Cotinguiba, na sua margem estão localizados o
Trapiche e o Mercado, é cercada de igrejas e casarões coloniais que contam a
sua história econômica e cultural.
Participei, agora em
janeiro de 2018 como convidado da organização do encontro, fazendo uma palestra
com o tema: As festas tradicionais e os diferentes processos de atualização.
Foi uma honra tomar parte do 43º Encontro Cultural de Laranjeiras ao lado de
professores, pesquisadores, mestres e brincantes dos grupos folclóricos de
Sergipe.
Ao longo dos anos o
encontro foi ampliando o seu espaço para divulgar Laranjeiras como uma cidade
detentora de importantes patrimônios culturais materiais e imateriais. Um dos
principais objetivos do encontro é reunir estudiosos e pesquisadores da nossa cultura
popular para conhecer de perto as manifestações dos grupos folclóricos, as
igrejas, os casarões, o mercado, o trapiche e as ruas históricas de cidade. Sem
dúvida foram os encontros culturais que projetaram Laranjeiras no cenário
nacional. Assim como disse Luiz Antônio Barreto:
Quando a somação do
Governo do Estado com a Prefeitura Municipal, apoiada pela então Campanha de
Defesa do Folclore Brasileiro, Laranjeiras foi a destinatária de um conjunto de
ações, em torno do I Encontro Cultural, como a restauração da velha Casa de
Laranjeiras e instalação do Museu Afro Brasileiro de Sergipe, iniciando uma
série de restauros que devolveu ao uso público monumentos sociais, como o
Mercado da cidade, o Trapiche, a Casa da Câmara, bem como recuperou ruas de calçamento
de pedra, enquanto pavimentou outras, tornando melhor o piso da cidade. Com o
Encontro Cultural de Laranjeiras Sergipe foi grande beneficiado, porque foram
gravados, pela primeira vez, os sons dos grupos folclóricos e editados discos,
livros, cadernos de folclore, dando visibilidade a um variado elenco de grupos,
cada um com sua característica (artigo publicado em 01/01/2000/Infonet).
O Encontro Cultural de
Laranjeiras não pertence só ao povo sergipano é um patrimônio de todos nós, é
uma sala de aula aberta aos estudiosos, pesquisadores, aos mestres e brincantes
das manifestações das culturas populares. Como afirmou Bráulio Nascimento:
Na verdade, não é
possível falar do desenvolvimento dos estudos da cultura popular no Brasil sem
passar por Laranjeiras. Muitas ideias aqui expostas e debatidas constituíram o
núcleo de trabalhos de maior fôlego, que motivaram e estimularam debates em
outros pontos do País, em outros contextos culturais (artigo publicado em 2005
nos 30 anos do Encontro Cultural).
No encontro de 1977 cerca
de 200 grupos estiveram presentes durante a realização do evento e Laranjeiras
passou a se chamar, simbolicamente a capital do folclore brasileiro no mês de
janeiro.
A reunião de estudiosos,
pesquisadores brasileiros e estrangeiros colocou Laranjeiras no centro das
atenções, dos debates e discussões sobre os antigos e novos paradigmas de
estudos e pesquisas da nossa cultura popular que se espalharam mundo afora,
possibilitando publicações de artigos, dissertações, teses e livros, que
atualmente estão disponíveis na mídia impressa e nas redes sociais.
Quando Luiz Antônio
Barreto, com a colaboração de estudiosos e pesquisadores da cultura sergipana,
idealizou o encontro em 1976, que aconteceria durante o período da Festa dos Santos
Reis, teve como propósito levar para Laranjeiras importantes nomes de
estudiosos e pesquisadores da cultura popular e das artes brasileiras, para
testemunharem as apresentações dos grupos folclóricos e a simbologia da festa
religiosa de coroação da Rainha das Taieiras na igreja de São Benedito e Nossa
Senhora do Rosário, cerimônia religiosa que há mais de cem anos acontece na
cidade histórica no início de janeiro.
A partir daí não só
Laranjeiras, mas o Estado de Sergipe entra no calendário cultural brasileiro
como referência dos estudos e das pesquisas folclóricas.
Nesses 43 anos de
realizações, passaram pelo encontro importantes personalidades de
reconhecimento nacional e internacional. Para conferir basta consultar as
publicações comemorativas que reúnem textos apresentados nos 20 e nos 30 anos
de realização.
A professora e
pesquisadora Aglaé Fontes, à época Secretária Especial da Cultura do Estado de
Sergipe, na apresentação da publicação dos 20 anos, diz:
Ao longo dos 20 anos O
Encontro Cultural de Laranjeiras, vem se constituindo um foco de resistência
cultural em defesa do folclore. Com as mais diversas formas de ver,
pesquisadores e estudiosos da cultura popular, apresentam, a partir de temas,
informações e aprofundamento de estudos, que fazem do simpósio um fórum aberto
das discussões de ideias (texto de apresentação da publicação dos 20 anos do
encontro).
No discurso de abertura
oficial do 20º encontro o então prefeito de Laranjeiras Hans Otto Hagenbeck na
sua fala em defesa dos grupos folclóricos afirma:
Laranjeiras volta mais uma vez ao clima de festa, que transpira de um encontro com a dimensão do que, pela vigésima vez, passa a acontecer na nossa cidade. Temos a honra e grata alegria de não só recepcionarmos os ilustres participantes, como também a todos que aqui estão presentes; cujas participações dignificam um acontecimento que já deitou suas raízes por todo o Brasil, e além-fronteiras. A trajetória dessa promoção que se repete no início de cada ano, vem se consolidando ao longo do tempo. Turistas e visitantes aqui chegam, com a finalidade de sentir de perto a força do folclore animando o espírito popular de nossa gente, repassando uma imagem positiva de um povo que não deixou sucumbir o que lhe há de mais tocante: a sabedoria passada de geração a geração.
Mais adiante já no final
do seu discurso o prefeito Hagenbeck ressalta a importância da cidade de
Laranjeiras como um grande palco de manifestações folclóricas:
Durante os próximos três dias, Laranjeiras deixará de ser apenas uma cidade comum para transformar-se no grande palco das manifestações folclóricas que aqui vão desfilar. Que a grandeza da sua gente humilde e acolhedora possa receber a todos de abraços e coração abertos. Muito obrigado (publicado nos anais do XX Encontro Cultural de Laranjeiras, 1995).
O atual prefeito de Laranjeiras, Paulo Hagenbeck e a atual Secretária
Municipal da Cultura, Maria Gardênia Hagenbeck na apresentação do programa
cultural do 43º encontro dizem que:
Desde seu surgimento o Encontro Cultural de Laranjeiras dedica-se a
promoção da Cultura popular, construiu um caminho articulado de estudo,
pesquisa e exercícios das manifestações culturais. O Encontro Cultural de
Laranjeiras é considerado um dos maiores desse país nesse segmento, sendo um
evento consolidado nacionalmente e internacionalmente.
Mais adiante continua:
Queremos desejar boas vindas e saudar a todos que fazem essa festa acontecer, turistas, comunidade laranjeirense e sergipana, artistas culturais e musicais regional e nacional, colaboradores no geral. Saudações especialmente aos brincantes da nossa cultura popular que protagonizam e reverenciam o folclore da cidade de Laranjeiras.
O tema central do
encontro deste ano foi: Nosso palco é a rua, mas os camarotes e os palcos
patrocinados pela administração municipal é que tomaram conta das ruas de
Laranjeiras para apresentações de shows artísticos predominantemente de
cantores e cantoras de músicas que estão nas paradas de sucessos midiáticas. Nada contra qualquer gênero de
música e de show artístico, mas cada qual no seu tempo e espaço.
O tempo e o espaço do
Encontro Cultural de Laranjeiras, das manifestações dos grupos folclóricos, da
Festa de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário celebrada no dia de Santos Reis
devem ser respeitados pelas autoridades civis e religiosas. O volume alto do som dos palcos abafava as falas dos conferencistas e dos
debates que se realizavam no simpósio, além de abafar as músicas e danças dos
grupos folclóricos, como mostram os vídeos no final do texto.
Mas assim mesmo a Taieira,
a Chegança e o Cacumbi saíram em cortejo, no domingo pela manhã, rumo à igreja
de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário para participar da missa de coroação da Rainha da Taieiras, percorrendo as ruas desviando ora dos
automóveis, ora dos palcos instalados nas esquinas, nas praças e até no meio
das ruas, numa verdadeira caminhada de obstáculos até chegarem à igreja. Mesmo
assim o padre, interrompendo a tradição, não coroou a Rainha da Taieira como
deveria. Mas, o protesto de Bárbara, a mestra do grupo, da comunidade presente
na missa fez com que a rainha fosse coroada conforme manda a
tradição da festa.
Com os cantos, as músicas
abafadas pelos sons estridentes dos palcos os grupos continuavam em cortejos,
assim como forma de interpelação ao menosprezo do poder público e,
teimosamente, demostrando que a resistência é a força da cultura popular.
Ao contrário do discurso
das atuais autoridades administrativas da cidade os protagonistas não foram os
grupos folclóricos, não foram os mestres e brincantes da cultura popular
laranjeirense e sergipana.
Portanto, no 43º Encontro
Cultural de Laranjeiras os mestres, os brincantes e os grupos folclóricos
tiveram na festa um papel, lamentavelmente, de coadjuvantes. O que estamos
assistindo na realidade nos últimos anos dos encontros culturais é como se
existissem duas festas distintas, uma com palcos com a parafernália eletrônica
de som e iluminação espalhados pelos pontos principais da cidade para as
apresentações de shows artísticos e outra periférica que é a festa religiosa e
as manifestações dos grupos folclóricos.
Aqui, constrangidamente,
quero deixar um pouco do meu desencantamento, até da minha indignação, com o
que presenciei agora em Laranjeiras no encontro de 2018. O meu depoimento tem o
olhar de quem testemunhou e participou da maioria desses 43 anos de realização
do encontro cultural, desde o primeiro em 1976, quando tinha acabado de sair da
universidade e, com certeza estive presente em mais de 30 dos 43 já realizados.
Portanto, acompanhei, continuo acompanhando e posso afirmar que participei dos
momentos mais importantes da história do Encontro Cultural de Laranjeiras,
assim como diz Luiz Antônio Barreto em artigo publicado:
Quem vem, anualmente, a
Laranjeiras para trocar ideias, trazer novas apreciações, atualizar as
referências e as bibliografias renova o compromisso. Foram muitos, algumas
dezenas ao longo do tempo, alguns dos quais sempre voltam, enraizados no
interesse de compreender melhor o fenômeno da cultura popular. Três desses
heroicos partidários dos Encontros Culturais – Bráulio do Nascimento, Roberto
Benjamim e Osvaldo Trigueiro – o mestre, o professor e o estudante de 1976 se
tornaram, nas últimas décadas, nos mais acreditados produtores culturais
brasileiros (Infonet, 2002).
Não se trata de heroísmo,
como disse amigavelmente Barreto, mas de acreditar numa proposta de projeto de
estudo e de pesquisa, e, por crer em tudo isso sempre priorizei nos meus
compromissos a participação no Encontro Cultural de Laranjeiras deste a época
de Luiz Antônio Barreto aos dias atuais com tantos outros heroicos
companheiros.
Portanto, pelos encontros
culturais passaram importantes personalidades brasileiras e estrangeiras que
deixaram as suas marcas, as suas referências e seus ensinamentos para formação
de gerações e gerações de novos estudiosos e pesquisadores e me incluo entre
eles.
Sou muito grato por tudo
que apreendi nas exposições e debates do encontro como também pelo que aprendi
e continuo aprendendo com os mestres e brincantes dos grupos folclóricos que se
apresentam nas ruas e nas igrejas de Laranjeiras. Enquanto há vida há esperança
e espero uma outra atitude das autoridades laranjeirenses na retomada do
projeto inicial do Encontro Cultural.
Pois é. Hoje é um dia diferente, não necessariamente especial, mas realmente diferente porque hoje é 8 de novembro de 2017. Há 70 anos estava chegando ao mundo na minha querida cidade de Patos era uma primavera sertaneja de 8 de novembro de 1947.
A nossa casa na Rua Pedro Firmino, 110, estava cheia de familiares, amigos e amigas do meu pai Carlos Dantas Trigueiro e da minha mãe Leonor Meira Trigueiro. Naquela época Patos era uma jovem cidade com apenas 44 anos e as mães pariam as suas crias em casa com a proteção de muitas rezas e da competência da parteira. Raramente tinha médico no momento do parto e quando tinha ficava na sala, não entrava no quarto lugar sagrado e reservado só as mulheres que auxiliavam a parteira. O médico só entrava no quarto em situação de extrema emergência. A minha mãe contava que no dia do meu nascimento os médicos de plantão eram Dr. Oscar Vieira e Dr. Severino Araújo e a parteira foi Dona Sebastiana Xavier a quem, por muito tempo, tinha a obrigação de pedir a benção como um gesto de respeito e agradecimento.
E como tudo correu bem com o parto da minha mãe, estou aqui para contar um pouco da minha história de vida iniciada em Patos, a Morada do Sol, lá no sertão paraibano. E nesses 70 anos de vida passei ou fiquei em vários lugares sempre aprendendo ou ensinando alguma coisa a alguém. E por tudo isso agradeço a Deus, a Rosinha companheira de todas as horas por quase 40 anos, aos meus filhos Antonio Carlos e Osvaldinho, ao meu neto Rafa e a minha netinha Manu, as minhas noras Cindy e Larissa pela família que tenho. Agradecer aos meus pais e a minha tia Amélia que me deram régua e compasso para traçar os caminhos percorridos. Hoje, 8 de novembro de 2017, aqui em Manaus com os meus netos, era tudo que desejava para celebrar os meus 70 anos com os melhores presentes que Deus me deu mais recentemente o Rafael e a Manuela. Agradeço a todos os meus familiares e amigos que direta ou indiretamente participaram ou continuam participando da minha vida nos diferentes tempos e espaços dos muitos momentos de alegrias, de felicidades e de alguns momentos de tristezas e até de desenganos como parte da história de qualquer ser humano e comigo não seria diferente. Pois é, eu sou assim também.
Obrigado a todos vocês.
( Aos poucos vou contar a minha história de vida e em breve vem as memórias parte II)
Depois de muitos anos ausente passei o feriadão de 7
de setembro deste ano em Patos, minha cidade natal, conhecida carinhosamente
como a “Morada do Sol”. Fui para o casamento de um sobrinho querido, Leonard Trigueiro com Luanna Lima. Como o casamento foi no dia 9 à noite aproveitei o meu
tempo na cidade para reencontrar familiares e amigos, visitar lugares que
fizeram parte da minha infância, da minha adolescência e, porque não dizer, até
mesmo da minha maturidade às vésperas de completar 70 anos.
Pois é, nasci em Patos no dia 8 de novembro de 1947 a
cidade tinha apenas 44 anos e agora no dia 24 de outubro de 2017 chega aos seus
114 anos.
Atualmente a Morada
do Sol é um importante polo socioeconômico do sertão paraibano, localizada a cerca de 300 quilômetros de João Pessoa, a capital do estado da Paraíba, com
mais de 100 mil habitantes. Portando, Patos já não é a mesma cidade onde passei
importante parte da minha vida, evidentemente não poderia ser a mesma cidade
dos anos 50, 60 e 70 do século passado onde vivi intensamente. Patos é atualmente
uma cidade do século XXI em pleno desenvolvimento no sertão nordestino.
O feriadão de 7 de setembro, realmente foi um
reencontro com a minha cidade que já não conhecia tanto assim e, flanando pelas
ruas do centro e da periferia aos poucos fui redescobrindo os lugares que
frequentei por muitos anos. Escolas, igrejas, casas, bares, restaurantes,
clubes, cinemas, sinucas, o antigo cabaré da beira da linha do trem, o Tiro de
Guerra e tantos outros lugares por onde passei e vivi por muitos anos. Mas
alguns lugares marcaram muito a minha vida na cidade entre eles o Colégio
Diocesano, que depois passou a ser o Colégio Estadual, onde aprendi muito do
que sei até hoje, o imponente Colégio Cristo Rei, o Cine Eldorado, Patos Tênis
Clube, o lugar que sediou o Fortelândia e o território onde foi a casa em que nasci
na Rua Pedro Firmino 110.
Não pode deixar de visitar também a Catedral de Nossa
Senhora da Guia, a Cruz da Menina e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, fechando,
assim, o ciclo de reconhecimento dos lugares sagrados e profanos da minha
querida cidade de Patos. Alguns desses lugares já não existem ou porque foram
demolidos ou reformados para outras atividades, mas tudo isso faz parte das
mudanças desejadas na cidade que cresce ordenada ou desordenadamente, que
transforma os seus bens culturais materiais e imateriais e, com o passar do
tempo vão construindo, andaime por andaime, uma outra identidade onde se
mesclam o antigo e o novo nos diferentes espaços e tempos urbanos da pequena cidade,
levando-a à terceira mais
importante cidade do estado da
Paraíba.
Patos cresceu e
continua crescendo estendendo-se para as áreas rurais com as construções de
grandes condomínios e outras edificações como se estivesse emergindo do chão
seco do sertão uma outra cidade no entorno da antiga “Morada do Sol”. É uma
cidade que cresce com vocação de centro
sociocultural importante no semiárido nordestino, favorecido pela sua posição
geográfica que polariza atividades de negócios, de serviços de saúde, de
educação, de cultura e tantas outras para atender vários municípios paraibanos e dos vizinhos estados
de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.
Patos, é um núcleo rurbano atraente, aqui uso o
neologismo de Gilberto Freyre para definir uma sociedade em transição do rural
para o urbano, estrategicamente localizada num centro polo de uma região. Ou seja, um núcleo de convergência de vários
interesses ao mesmo tempo conectado ao mundo globalizado pelas mídias e redes
sociais digitais, as redes cotidianas mediadas pela tradição oral do seu povo,
dos poetas populares, dos cantadores, do artesanato e da feira no mercado
público. E mesmo sendo um polo de desenvolvimento da região preserva
importantes manifestações tradicionais da cultura nordestina, a sua culinária,
o jeito hospitaleiro do patoense receber, a luta contra as adversidades do
tempo, suas festas religiosas e profanas. Patos é assim, sempre presente na
minha história de vida e na minha memória.
Três importantes festas à
Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros no Brasil, são realizadas há
mais de cem anos no mês de outubro, em Pombal e Santa Luzia na Paraíba e em
Caicó no Rio Grande do Norte. As três cidades, localizadas no Sertão
nordestino, na Microrregião do Seridó paraibano (Pombal/Santa Luzia) e
norteriograndese (Caicó), foram importantes núcleos urbanos no período da
expansão da agricultura e pecuária na região.
Concentração na comunidade Pitombeira
Os negros foram levados como
mão-de-obra para as fazendas ribeirinhas do Semiárido para trabalharem na
criação de gado e principalmente no plantio do algodão, o ouro branco do Vale do
Seridó, assim denominado pela sua qualidade e boa aceitação no mercado externo.
Portanto, segundo Roberto Benjamin no livro a Festa do Rosário de Pombal:
A presença negra no sertão deveu-se ao Ciclo
do Algodão. Introduzido na periferia da zona canavieira, nas terras menos
úmidas, o algodão, no século passado, com a revolução industrial e a Guerra
Civil americana, tornar-se-ia um produto nobre de exportação no Brasil. Pouco a
pouco a lavoura algodoeira foi penetrando e acabou por fixar-se em terras do
sertão. (BENJAMIN, 1976)
Cavalgada rumo à Santa Luzia
Com a presença do negro nessas localidades
vieram também a devoção a Nossa Senhora do Rosário e suas manifestações
culturais tradicionais que continuam presentes nas mais diferentes atividades
socioculturais, econômicas, religiosas e profanas. As festas à Nossa Senhora do
Rosário são um marco importante da religiosidade e da cultura popular tradicional
nas comunidades negras do Seridó nordestino onde foi significativa a
agricultura do algodão, que teve grande importância na economia da região.
Em Pombal a festa do Rosário
é realizada na primeira semana de outubro.
Cavalgada
Em Santa Luzia sempre acontece na
segunda semana e em Caicó na última semana do mesmo mês. Como quase todas as
festas de padroeiros e padroeiras as de Nossa Senhora do Rosário, nestas
localidades, têm o seu novenário, as missas, procissões, hasteamento das
bandeiras, quermesses, parques de diversões, bailes populares, mas se destacam
pelas ricas manifestações folclóricas.
O que as diferencia das
demais festas é o cortejo real dos grupos de danças caraterísticos dessas festas
dos reis negros. O cortejo quase sempre é constituído por juiz da irmandade do Rosário,
reis, rainhas, vassalos, grupos dos pontões, pelas bandas de cabaçais e os
grupos dos congos.
Cavalgada chega à cidade Santa Luzia
Durante um longo período,
sempre acompanhado pelo professor e pesquisador Roberto Benjamin, realizamos pesquisas
etnográficas nas três localidades e registramos diferentes momentos dessas
festas observando as singularidades de cada uma delas.
A festa do Rosário em Pombal
é diferente da festa em Santa Luzia que também diferente da de Caicó. Portanto,
quero aqui destacar o cortejo do Tope do
Juiz, um dos momentos mais significativos da festa do Rosário em Santa
Luzia o que a torna diferente das outras duas.
O Tope do Juiz na Festa do
Rosário em Santa Luzia
Juiz da Irmandade do Rosário
A cidade de Santa Luzia fica
às margens da BR-230 a uma distância de aproximadamente 270 quilômetros de João
Pessoa, a capital do Estado da Paraíba, e cerca de 40 quilômetros de Patos, um
importante polo econômico do Sertão paraibano. A cidade de Santa Luzia tem
fácil acesso por automóvel e várias alternativas de ônibus, tem um hotel de
porte médio com acomodações simples, mas aconchegantes.
Pontões recebem a Corte Real
É uma boa opção para
quem desejar conhecer uma da mais tradicionais festas de Nossa Senhora do
Rosário aqui na Paraíba e que acontece neste final de semana.
Portanto, conforme a
tradição local, nos próximos dias 7 e 8 a Festa de Nossa Senhora do Rosário em
Santa Luzia chega ao seu ponto mais significativo com a saída do Juiz da
Irmandade do Rosário, em cortejo pelas principais ruas em direção à igreja matriz
da cidade.
Pontões abrem passagem para o Cortejo Real
O Tope do Juiz, assim denominado pela
tradição popular, tem início com uma concentração, logo nas primeiras horas da
manhã do sábado, na comunidade de Pitombeira uma reminiscência de um quilombo
localizado no município de Várzea, que fica a uma distância de 15 quilômetros
de Santa Luzia. O juiz sai em cortejo da comunidade de Pitombeira acompanhado
por um grande número de vaqueiros até a entrada da cidade de Santa Luzia onde
se encontra com o cortejo real, o grupo dos pontões, a banda de cabaçal, as
autoridades públicas, civis, eclesiásticas e o povo em geral.
Cortejo com a Banda Cabaçal
Depois de receber a benção e as saudações das
demais autoridades o cortejo segue pelas principais ruas da cidade até a igreja
matriz de Santa Luzia. Durante grande parte do dia o cortejo sempre acompanhado
pelos cavaleiros, banda de pífanos, os grupos de danças e o povo percorrem
diversas ruas visitando as casas que oferecem comidas e bebidas à comitiva
real. E assim é o Tope do Juiz na
Festa de Nossa Senhora do Rosário em Santa Luzia, uma tradição de 142 anos.
Esse foi o tema central do VIII Seminário Nacional de Folclore, realizado na cidade de Fortaleza nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2017, evento promovido pela Comissão Cearense de Folclore-CCF com o apoio da Comissão Nacional de Folclore-CNF. O Seminário reuniu folcloristas, estudiosos e pesquisadores de diferentes estados brasileiros que discutiram sobre as problemáticas atuais que cercam as comunidades tradicionais populares e seus fazeres e saberes nas mais diversas formas de conhecimento, considerando as suas características interdisciplinares dos estudos e das pesquisas desenvolvidas no campo do folclore e da cultura popular.
Eleonora Gabriel (RJ)
Trigueiro (PB), Paula (RS), Toninho (SP)
Durante o evento professores, folcloristas, alunos e demais pesquisadores de áreas afins debateram o folclore na contemporaneidade, possibilitando a compreensão de novos paradigmas, a dinamização, os estudos e as pesquisas cientificas.
Os conferencistas, palestrantes, debatedores, moderadores e as intervenções dos demais participantes contribuíram, de forma sistemática, para uma melhor reflexão sobre o desenvolvimento dos estudos e das pesquisas do folclore e da cultura popular no contexto da dinâmica e das transformações na contemporaneidade.
Severino Vicente (CNF)
Severino Vicente, presidente da Comissão Nacional de Folclore, sobre a realização do seminário afirmou:
“O VIII Seminário
Nacional de Folclore em Fortaleza estruturou-se dentro de uma visão do mundo
moderno, mas atuando firmemente em defesa dos valores da Cultura Popular, da
liberdade de suas criações e recriações numa sociedade em acelerado processo de
transformação. A temática por si fala: Folclore: Dinâmica e Transformação na
Contemporaneidade. Estas foram as linhas que nortearam o VIII Seminário e que
deverá ter continuidade, fortalecido pelas Comissões estaduais de folclore e
estudiosos do folclore brasileiro, com suas preciosas contribuições num esforço
conjunto, na corrida pela salvaguarda de nossas ricas matrizes culturais,
componentes primordiais na formação da nacionalidade. O Seminário foi um
sucesso e a Comissão Cearense cada vez mais fortalecida com toda sua equipe”.
A presidente da Comissão Cearense de Folclore, Poliana Santos, ao comentar sobre o evento afirma:
“O VIII Seminário Nacional de Folclore teve como objetivo principal conhecer e reconhecer os estudos relacionados aos saberes tradicionais uma vez que atua diretamente com a percepção e contribuição de agentes de instituições educacionais e culturais dos diversos recantos do Ceará e do Brasil. O evento oportunizou aos participantes um contato maior com grupos portadores de tradição entre eles o Maracatu Nação Pici, Boi Juventude e o Afoxé Oxum Odolá. As instituições parceiras, Associação Cultural Canto da Jandaia, Instituto Nordeste e Cidadania, Editora Dinâmica, Instituto Dragão do Mar através da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará”.
Mazoco (ES), Gutemberg (RN), Dionísio (SP), Francisco (SC)
No seminário realizaram-se palestras, mesas de debates e atividades culturais e tudo aconteceu no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. As palestras abordaram temas como “Folclore: dinâmica e transformações na contemporaneidade" e, "Máscaras: do teatro ritual ao teatro brincante”. Nas mesas e nos debates foram abordados temas como: "Saberes e fazeres na docência", "Estado e políticas públicas para o folclore hoje", "Povos indígenas na contemporaneidade", "Festas tradicionais do Divino", "Africanidade, questões contemporâneas" e a mesa que encerrou o seminário teve como tema a "Comissão Nacional de Folclore-CNF: sua criação, importância e novos rumos".
Na solenidade de encerramento a presidente Poliana Santos e o presidente Severino Vicente ressaltaram a importância dos temas abordados no seminário e das estratégias para dar visibilidade às ações da Comissão Nacional de Folclore, em sintonia com as
Lélia (SC), Lilia (SP, Neide (SP)
comissões estaduais em todo o território nacional, inclusive utilizando as ferramentas digitais disponíveis nas redes sociais.
O presidente Severino Vicente submeteu à assembleia a concessão da medalha de Folclorista Emérito, aprovada por unanimidade para Lourdes Macena, professora, pesquisadora, ex-presidente da Comissão Cearense de Folclore e ex-presidente da Comissão Nacional de Folclore; para Maria Valquíria Mendes, professora, pesquisadora e ex-presidente da Comissão Cearense de Folclore e para Walden Luiz Furtado Bezerra, ator, diretor teatral, pesquisador e ex-presidente da Comissão Cearense de Folclore.
Leno (CE) Joila (MA), Willian (CE)
Em seguida a assembleia aprovou menções de pesar pelo falecimento do professor e pesquisador Braulio Nascimento, presidente de honra da Comissão Nacional de Folclore; do professor e pesquisador Domingos Diniz, ex-presidente da Comissão Mineira de Folclore e para o professor, pesquisador e ex-presidente da Comissão Nacional de Folclore, Ático Villas-Boas da Mota.
Na parte cultural se apresentaram vários grupos folclóricos do Ceará e aqui destacamos os grupos Maracatu Nação Pici, Boi Juventude e o Afoxé Oxum Odolá que, com curtas apresentações, exibiram as suas músicas e danças numa pequena amostra da diversidade do rico folclore cearense. Parabéns à Comissão Cearense de Folclore e toda a equipe organizadora do evento, à Comissão Nacional de Folclore pelo apoio e aos dez presidentes de comissões estaduais e municipais de folclore que colaboraram para o sucesso do seminário.
Ganhadores da Medalha Folclorista Emérito
Presidente da CNF e Secretário Estadual de Cultura (CE), pré coroação da rainha do Maracatu
Afoxé Oxum Odolá (CE)
Afoxé Oxum Odolá (CE)
Momento após apresentação do Afoxé Oxum Odolá (CE)
Em agosto, no dia cinco, acontece uma das
mais importantes festas em homenagem a Nossa Senha das Neves, em Portugal, na localidade
denominada de Largo das Neves, um espaço de convergência das freguesias de Villa
Punhe, Mujães e Barrosela, denominado também, de Triângulo das Neves pertencente
ao Distrito e a Diocese de Viana do Castelo. A cidade de Viana do Castelo,
localizada no norte de Portugal, fica a cerca de 70 quilômetros do Porto e 390
de Lisboa, é rica em patrimônio cultural material e imaterial.
Mas é a romaria de Nossa Senhora d’Agonia, sem
dúvida nenhuma, a maior e mais importante festa popular da região, que se
realiza na segunda quinzena de agosto no Conselho de Viana do Castelo.
Essa Festa das Neves tornou-se popular a
partir de 1634 quando se espalharam por Portugal as capelas em devoção ao culto
mariano.
Conforme a tradição oral a Festa das Neves
foi criada como pagamento de promessas do um imigrante português, João Pires
Ramalho, retornado do Brasil e como fundador da Casa da Torre das Neves funda
também uma capela em devoção a Santa Maria das Neves. A capela passou por
períodos de decadência até ser reconstruída pela piedade barroca e a partir de
1657 as missas semanais e as romarias no dia 5 de agosto eram frequentadas por
devotos de várias localidades da região polarizada por Viana do Castelo,
principalmente das três freguesias, Villa Punhe, Mujães e Barrosela.
O historiador português Alberto Abreu, no seu
livro sobre Auto da Floripes na Festa das Neves diz:
“Em 1859 refere o Almanach de lembranças luso-brasileiras que a romaria atraía “centenares
de romeiros de todos os arredores”. A atracção popular tinha uma motivação
acrescida na concessão de indulgências. Com efeito, o papa Pio IX concedeu à
capela de Nossa Senhora das Neves o privilégio de altar, que concedia uma
indulgência plenária aplicável ao defunto por cuja alma fosse celebrada uma
missa no altar principal desta capela. Mas foi já no início do século XX que a
capela foi refeita, em 1907, e inaugurada a reconstrução em 1908” (ABREU, 2001,
p. 21).
No início do século XX a
Festa das Neves toma um caráter religioso e profano com novenário, procissão, romarias,
manifestações folclóricas e quermesses com os tradicionais comes de bebes. Uma das
atrações da festa é a encenação do Auto
da Floripes, aguardada com grande expectativa pela população do Lugar das
Neves e seus entornos.
O Auto da Floripes
Nas festas religiosas e profanas em Portugal podemos
observar importantes manifestações tradicionais que têm as suas origens na
Idade Média e entre tantas outras tradições que persistem são as várias versões
das batalhas entre cristãos e mouros comandadas pelo imperador Carlos Magno. As
inúmeras representações dos feitos de Carlos Magno são narradas nos folguedos,
nas danças, nas músicas, na literatura e no teatro popular português e aqui no
Brasil chegaram nas caravelas e continuam presentes nas nossas tradições
culturais.
O Auto da Floripes é uma narrativa teatral
popular do ciclo carolíngio, espetáculo que conta a história das batalhas entre
cristãos e mouros encenadas por populares no Largo das Neves durante a Festa de
Nossa Senhora das Neves. A encenação, a estrutura e os diálogos do espetáculo desenvolve-se,
há centenas de anos, com o mesmo objetivo, contar a história da derrota dos
mouros pelos Doze Pares de França comandados pelo Imperador Carlos Magno. O
Auto da Floripes é uma criação popular e encenada há centenas de anos pelo povo
das três freguesias vianenses.
Como quase toda a manifestação da cultura
popular, aqui e ali, o Auto da Floripes passa por processos de atualizações
introduzindo novos elementos ao espetáculo. Alberto Abreu, sobre as inovações
na encenação do Auto da Floripes, citando Cláudio Basto, transcreve: “Em 1933,
porém, os soldados cristãos envergavam fardas brancas, trazidas por um
brasileiro dum carnaval carioca”. Mas, segundo Abreu a inovação não pegou e os
fardamentos dos soldados cristãos voltaram à moda tradicional. Mesmo assim, no
decorrer do tempo, outras inovações são introduzidas nas indumentárias e no
texto, conforme a dinâmica cultual.
O Auto da Floripes narra a história da
derrota dos mouros pelos cristão, do bem contra o mal, de amor e ódio, com as
cores predominantes do vermelho, do azul, do amarelo e do cinza nas indumentárias
e cada uma tem o seu simbolismo para diferenciar os cristãos dos mouros. Carlos
Magno, Ferrabrás, Roldão, Balaão, Oliveiros, Floripes, Soldados cristãos e
mouros, Brutamontes e outros atores do povo, que vivem com entusiasmo cada
personagem do espetáculo carinhosamente assistido pela população de Villa Punhe,
Mujães e Barrosela e outras localidades que se concentram no Largo das Neves no
5 de agosto, dia da Festa da Neves em Portugal. (Acesse aqui o vídeo do Auto da
Floripes).
João Pessoa, a capital do Estado da Paraíba, completa este ano 432 anos e, no dia 5 de
agosto celebra a festa de sua padroeira Nossa Senhora das Neves, que ocorre há
centenas de anos, cada vez mais desprestigiada pelas autoridades e parte da
sociedade local, mesmo sendo uma das mais antigas festas religiosas e profanas
do Brasil.
Por onde ando, especialmente fora do Brasil,
vejo o ressurgimento das festas religiosas e profanas em homenagem aos padroeiros
e padroeiras das cidades. A tradicional Festa das Neves em João Pessoa continua
enraizada na nossa memória e na tradição cultural não só dos pessoenses mas dos
paraibanos.
Precisamos de um João Pires Ramalho que ao
retornar do Brasil para a sua terra Portugal incentivou a piedade popular de
Nossa Senhora das Neves em Viana do Castelo.
Agradeço aos amigos estudiosos do folclore
português Alberto Abreu e Alberto Rego pelas informações sobre a Festa das
Neves e o Auto da Floripes.
Referências
ABREU,
Alberto A. O Auto da Floripes no imaginário minhoto. Viana do
Castelo\Portugal: Câmara Municipal, 2001.