quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Festa das Neves em Portugal

Em agosto, no dia cinco, acontece uma das mais importantes festas em homenagem a Nossa Senha das Neves, em Portugal, na localidade denominada de Largo das Neves, um espaço de convergência das freguesias de Villa Punhe, Mujães e Barrosela, denominado também, de Triângulo das Neves pertencente ao Distrito e a Diocese de Viana do Castelo. A cidade de Viana do Castelo, localizada no norte de Portugal, fica a cerca de 70 quilômetros do Porto e 390 de Lisboa, é rica em patrimônio cultural material e imaterial.
Mas é a romaria de Nossa Senhora d’Agonia, sem dúvida nenhuma, a maior e mais importante festa popular da região, que se realiza na segunda quinzena de agosto no Conselho de Viana do Castelo.
Essa Festa das Neves tornou-se popular a partir de 1634 quando se espalharam por Portugal as capelas em devoção ao culto mariano.
Conforme a tradição oral a Festa das Neves foi criada como pagamento de promessas do um imigrante português, João Pires Ramalho, retornado do Brasil e como fundador da Casa da Torre das Neves funda também uma capela em devoção a Santa Maria das Neves. A capela passou por períodos de decadência até ser reconstruída pela piedade barroca e a partir de 1657 as missas semanais e as romarias no dia 5 de agosto eram frequentadas por devotos de várias localidades da região polarizada por Viana do Castelo, principalmente das três freguesias, Villa Punhe, Mujães e Barrosela.
O historiador português Alberto Abreu, no seu livro sobre Auto da Floripes na Festa das Neves diz:

“Em 1859 refere o Almanach de lembranças luso-brasileiras que a romaria atraía “centenares de romeiros de todos os arredores”. A atracção popular tinha uma motivação acrescida na concessão de indulgências. Com efeito, o papa Pio IX concedeu à capela de Nossa Senhora das Neves o privilégio de altar, que concedia uma indulgência plenária aplicável ao defunto por cuja alma fosse celebrada uma missa no altar principal desta capela. Mas foi já no início do século XX que a capela foi refeita, em 1907, e inaugurada a reconstrução em 1908” (ABREU, 2001, p. 21).

No início do século XX a Festa das Neves toma um caráter religioso e profano com novenário, procissão, romarias, manifestações folclóricas e quermesses com os tradicionais comes de bebes.  Uma das atrações da festa é a encenação do Auto da Floripes, aguardada com grande expectativa pela população do Lugar das Neves e seus entornos.

O Auto da Floripes

Nas festas religiosas e profanas em Portugal podemos observar importantes manifestações tradicionais que têm as suas origens na Idade Média e entre tantas outras tradições que persistem são as várias versões das batalhas entre cristãos e mouros comandadas pelo imperador Carlos Magno. As inúmeras representações dos feitos de Carlos Magno são narradas nos folguedos, nas danças, nas músicas, na literatura e no teatro popular português e aqui no Brasil chegaram nas caravelas e continuam presentes nas nossas tradições culturais.    
O Auto da Floripes é uma narrativa teatral popular do ciclo carolíngio, espetáculo que conta a história das batalhas entre cristãos e mouros encenadas por populares no Largo das Neves durante a Festa de Nossa Senhora das Neves. A encenação, a estrutura e os diálogos do espetáculo desenvolve-se, há centenas de anos, com o mesmo objetivo, contar a história da derrota dos mouros pelos Doze Pares de França comandados pelo Imperador Carlos Magno. O Auto da Floripes é uma criação popular e encenada há centenas de anos pelo povo das três freguesias vianenses.
Como quase toda a manifestação da cultura popular, aqui e ali, o Auto da Floripes passa por processos de atualizações introduzindo novos elementos ao espetáculo. Alberto Abreu, sobre as inovações na encenação do Auto da Floripes, citando Cláudio Basto, transcreve: “Em 1933, porém, os soldados cristãos envergavam fardas brancas, trazidas por um brasileiro dum carnaval carioca”. Mas, segundo Abreu a inovação não pegou e os fardamentos dos soldados cristãos voltaram à moda tradicional. Mesmo assim, no decorrer do tempo, outras inovações são introduzidas nas indumentárias e no texto, conforme a dinâmica cultual.
O Auto da Floripes narra a história da derrota dos mouros pelos cristão, do bem contra o mal, de amor e ódio, com as cores predominantes do vermelho, do azul, do amarelo e do cinza nas indumentárias e cada uma tem o seu simbolismo para diferenciar os cristãos dos mouros. Carlos Magno, Ferrabrás, Roldão, Balaão, Oliveiros, Floripes, Soldados cristãos e mouros, Brutamontes e outros atores do povo, que vivem com entusiasmo cada personagem do espetáculo carinhosamente assistido pela população de Villa Punhe, Mujães e Barrosela e outras localidades que se concentram no Largo das Neves no 5 de agosto, dia da Festa da Neves em Portugal. (Acesse aqui o vídeo do Auto da Floripes).
João Pessoa, a capital do Estado da Paraíba, completa este ano 432 anos e, no dia 5 de agosto celebra a festa de sua padroeira Nossa Senhora das Neves, que ocorre há centenas de anos, cada vez mais desprestigiada pelas autoridades e parte da sociedade local, mesmo sendo uma das mais antigas festas religiosas e profanas do Brasil.
Por onde ando, especialmente fora do Brasil, vejo o ressurgimento das festas religiosas e profanas em homenagem aos padroeiros e padroeiras das cidades. A tradicional Festa das Neves em João Pessoa continua enraizada na nossa memória e na tradição cultural não só dos pessoenses mas dos paraibanos.
Precisamos de um João Pires Ramalho que ao retornar do Brasil para a sua terra Portugal incentivou a piedade popular de Nossa Senhora das Neves em Viana do Castelo.
Agradeço aos amigos estudiosos do folclore português Alberto Abreu e Alberto Rego pelas informações sobre a Festa das Neves e o Auto da Floripes.

Referências
ABREU, Alberto A. O Auto da Floripes no imaginário minhoto. Viana do Castelo\Portugal: Câmara Municipal, 2001.
Memoria Media. Registro Integral do Auto da Floripes em 2016. Vídeo disponível no You Tube      <https://www.youtube.com/watch?v=guJwUzQwnoU  > Acesso em 2 ago. de 2017.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

As festas tradicionais e os diferentes processos de atualização



O meu amigo Wills Leal (escritor, pesquisador das nossas festas tradicionais e membro da Academia Paraibana de Letras e da Academia Paraibana de Cinema), telefonou para mim demonstrando a sua preocupação com a “invasão” das músicas sertanejas nas nossas festas juninas, mais precisamente no “Maior São João do Mundo”, que se realiza em Campina Grande, a segunda cidade mais importante do Estado da Paraíba. E Wills chamava a atenção para os debates surgidos no período das festas, contra e a favor desse gênero musical, para não se deixar que esses debates caíssem no esquecimento com o final dos festejos juninos, com toda razão. 

É realmente um tema bastante polêmico que necessita de ampla reflexão ouvindo todas as partes envolvidas na organização dessas festas juninas institucionalizadas pelos poderes municipais e empresas privadas em que os interesses extrapolam as nossas tradições culturais. Ressalto que não comungo com a ideia que tradição seja uma experiência patológica ligada ao passado e que rejeita toda e qualquer experiência inovadora, toda e qualquer experiência de atualização.

Assim como no Brasil em outras partes do mundo as festas religiosas do catolicismo popular também passam por importantes atualizações como parte dos processos das dinâmicas culturais. Mas, é inegável a forte influência dos diferentes grupos empresariais e políticos nesses processos de atualizações dessas festas tradicionais. 

Aqui gostaria de distinguir tradição de antiguidade, de coisa que é velha, porque são realidades diferentes, não olhar o antigo como coisas que sempre ficaram para trás, que ficaram só na memória, até porque nem tudo que é tradicional é velho, assim como nem tudo que é moderno é novo. 

Portanto, as manifestações culturais tradicionais estão em constantes processos de atualização. Na realidade o que existe são processos tensos de negociações entre tradição e atualidade, entre o local e o global, que sempre conviveram nas diferentes épocas da história. 

Toda e qualquer manifestação cultural tradicional traz, inevitavelmente, alguma coisa de novo na atualidade, é assim que venho observando as festas populares e não seria diferente com os festejos juninos aqui no Brasil e especialmente no Nordeste onde são celebrados com maior intensidade. 

É quase impossível compreender e estudar as festas tradicionais fora do contexto da globalização cultural e, consequentemente, dos interesses da sociedade midiatizada, até porque as festas tradicionais estão, cada vez mais, agregando bens culturais produzidos pela mídia, pelo turismo e pelos interesses dos grupos políticos. Da mesma forma a mídia agrega bens culturais produzidos pelas sociedades tradicionais visando interesse dos seus negócios de compra e venda de bens culturais. E é nesses campos híbridos e tensionados que emergem as manifestações culturais tradicionais na atualidade. 

As festas tradicionais convivem com as atualizações de bens culturais da sociedade tecnológica e globalizada, mas quando são apropriados e incorporados através dos processos de ressignificações operados pelos ativistas midiáticos nas redes folkcomunicacionais são, quase sempre, assentados nas experiências passadas de gerações em gerações e não como uma mera aceitação imposta de fora para dentro. 

Ou seja, através dos seus atores sociais – brincantes – as manifestações culturais tradicionais se apropriam e incorporam, através das mediações negociadas, bens culturais inovadores como partes dos processos de atualizações. Um desses exemplos nas festas de São João aqui no Nordeste são as quadrilhas juninas que passaram e passam por significativas atualizações, mas são produzidas pelos ativistas midiáticos operadores nas redes folkcomunicacionais e por isso mesmo continuam estruturadas nas suas tradições culturais. 

Quando esses processos de atualização das manifestações culturais tradicionais são impostos por setores externos às redes de sociabilidades das comunidades fazedoras das festas, aí sim é necessário ter uma certa cautela, uma certa preocupação com esses movimentos de apropriações, que quase sempre são passageiros, estão simplesmente na moda como bola da vez e que se diluem no tempo efêmero da sociedade midiatizada. 

Aqui me refiro a festas tradicionais como acontecimentos identificadores dos fatos locais, como celebrações simbólicas das diversas relações sociais vivenciadas por uma comunidade para lembrar o seu calendário comemorativo religioso e civil. Mas, também me preocupam as invenções das festas institucionalizadas por setores externos como as recentes PPP (Parcerias Público-Privadas), criadas para organizar e promover o maior “São João do Mundo”. 

Portanto, as festas tradicionais, rurais, urbanas e rurbanas, sempre passaram e continuam passando por importantes atualizações, num passado remoto com a instituição da quaresma, depois com a invenção da imprensa móvel, com os grandes descobrimentos do século XVI, com a revolução industrial, só para citar alguns períodos importantes marcantes da nossa história. 

As nossas festas tradicionais são cada vez mais influenciadas pela globalização cultural, pelas redes midiáticas que encurtam o tempo entre as distâncias da produção e veiculação de novos bens culturais, quase sempre de sucesso transitório, assim como a música de Michel Teló “Ai Se Eu Te Pego” que foi grande sucesso em anos anteriores nas festas juninas. Mas “Asa Branca” de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, gravada há mais de 70 anos, continua sendo tocada, cantada e enraizada no repertório de várias gerações.

Volto a dizer que esses processos de atualizações das festas tradicionais não são exclusivos aqui no Brasil, vêm acontecendo em várias partes do mundo. Mas mesmo com todos esses aparatos tecnológicos da informação e da comunicação social não é possível eliminar os paradigmas tradicionais de comunicação, cada vez mais operados por diferentes ativistas midiáticos nas redes folkcomunicacionais. Por isso haverá sempre, de uma ou de outra forma, interpelações e resistências locais às atualizações impostas por setores externos às comunidades fazedoras das festas tradicionais não como xenofobismo, mas como processo de aceitação ou não das imposições inovadores veiculadas pela mídia na atualidade. 

A polemica sobre as descaraterizações das festas tradicionais sempre existiu e continuará existindo. É instigante o debate com diferentes opiniões, com as divergências sobre as tradições culturais e os processos de atualização. 

Dito isso chamo atenção, principalmente, para a polêmica sobre o agora protagonismo dos cantores e cantoras da música sertaneja e o agora papel coadjuvante dos cantores e cantoras do nosso tradicional forró nos processos de atualizações das festas juninas no Nordeste promovidas por grupos empresariais e políticos, principalmente com a PPP na organização e promoção do “Maior São João do Mundo” em Campina Grande que são, quase sempre, descompromissados com as nossas tradições culturais e mais interessados nos negócios lucrativos das festas. 

Há mais de dez anos os professores Luiz Custódio e Roberto Faustino, com a sua competente equipe composta de alunos e funcionários, organizam no mês de junho em Campina Grande o seminário: “Os Festejos Juninos no Contexto da Folkcomunicação”, promovido pelo Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. Aqui vai uma sugestão ou até mesmo uma provocação para eles: promover um encontro para discutir, especialmente, as mudanças nos festejos juninos com a intervenção das Parcerias Público-Privadas (PPP).

Até breve.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Com todo respeito às festejas juninas

Parque do Povo - Campina Grande/PB
Estamos em junho, o mês das festas dos santos populares, Santo Antônio, São João e São Pedro, celebradas há centenas de anos pela igreja católica em várias partes do mundo. Andando por aí, nas minhas observações das tradicionais festas religiosas e profanas em diferentes regiões do Brasil e fora dele, registrei vários momentos das festas do ciclo junino e fiquei impressionado com a demonstração de fé dos católicos para com os seus santos de devoção, mesmo com as significativas mudanças por que passam esses festejos, atualmente, proporcionadas pela sociedade midiatizada e da globalização cultural. 
Os tempos e espaços profanos ocupam cada vez mais os territórios das tradicionais festas religiosas em todo mundo católico e nas nossas observações, aqui no Brasil, constatamos que são maiores essas ocupações territoriais do profano nas tradicionais celebrações do catolicismo popular. 
Lisboa - Portugal
Um exemplo evidente são as festas do ciclo junino no Nordeste, quando o dia dos namorados festejado no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, é mais lembrado e comemorado que o dia 13 de junho, evidentemente que há uma relação direta já que uma das virtudes de Santo Antônio é a de ser casamenteiro, o santo dos namorados o que motiva o aquecimento dos negócios com as trocas de presentes entre os casais apaixonados que, de uma ou de outra forma, faz parte das tradições dos festejos de Santo Antônio. 
Mesmo com o grande interesse da mídia, dos promotores de eventos culturais, dos grandes empreendimentos dos negócios de bebidas, do turismo e do poder público que se apropriam das tradicionais festas populares e as transformam em eventos empresarias ou em seus projetos políticos, podemos perceber que determinados setores da sociedade já estão optando por realizar as suas festas juninas nos bairros, nas ruas e até mesmo em casa com a família como eram realizadas antigamente e como uma alternativa as festas demarcadas em determinados territórios institucionalizados pelos poderes públicos, assim como acontece no Parque do Povo em Campina Grande/PB. 
Ou seja, uma festa espontânea organizada pela comunidade para brincar o São João e uma outra festa, como um mega evento organizado pelos setores empresariais interessados nos negócios comerciais e dos interesses dos políticos. 
Será mesmo verdade que as nossas festas juninas estão cada vez mais parecidas com as festas de rodeio onde predominam as músicas sertanejas? Não posso afirmar isso, agora é dar tempo ao tempo para uma melhor avaliação. 
Mas, com todo respeito, nada contra a música sertaneja, nada contra o forró estilizado ou eletrônico, mas cada qual no seu tempo e espaço. Na atualidade o nosso forró está ficando em segundo plano nas festas juninas, assim um pouco de lado apenas para justificar a participação de alguns artistas consagrados do forró tradicional no palco principal da festa, mas as grandes atrações são as estrelas da música sertaneja e não estou só falando do “Maior São João do Mundo”. 
São João em Braga - Portugal
Com todo respeito, espero que as festas juninas organizadas por empresários promotores de eventos culturais e pelos poderes públicos municipais não enveredam por caminhos que levaram a falência dos carnavais fora de época que se espalharam pelo Brasil afora como um pacote já pronto para vender "igualzinho" em várias localidades sem respeitar as diversidades culturais de cada região e que em pouco tempo cansou, esvaziou o modelo e foi rejeitado pelo povo.
Com todo respeito, nada contra as festas organizadas pelos empresários, pelos poderes públicos ou pela mídia, ao contrário, foram esses segmentos que juntos nos anos 80 do século passado, revitalizaram, instituíram e inventaram um modelo de festa junina tipicamente rural transportando para a área urbana do Parque do Povo, em Campina Grande a segunda maior cidade do Estado da Paraíba e importante polo econômico e sociocultural da região nordestina. 
Registro das Festas Juninas
Com todo respeito, acompanho há anos as festas dos santos populares, Santo Antônio, São João e São Pedro, como sertanejo que sou, mas também como um observador tentando entender os processos de atualização das festas tradicionais. Prova disso são os meus testemunhos publicados nos artigos que escrevo e que estão disponíveis nas redes sociais. 
Portanto, o “Maior São do Mundo”, foi criado como atração turística, como um espetáculo para a divulgação da gastronomia típica da época junina, das crenças e superstições em torno das tradicionais fogueiras acesas em devoção aos santos populares e especialmente para a valorização e divulgação da música nordestina, do nosso forró. 

Com todo respeito, viva o São João!!!

Álbum fotográfico

Fotos: Osvaldo & Rosinha Trigueiro

Quadrilha Junina, João Pessoa-PB

Parque do Povo, Campina Grande-PB

Parque do Povo, Campina Grande-PB

São Pedro, Capela cenográfica -Campina Grande-PB
Festa de São João, Valongo - Portugal

Valongo - Portugal

Valongo - Portugal

Valongo - Portugal
São João, Braga - Portugal
Cabeções no São João de Braga - Portugal

Cabeções no São João de Braga - Portugal

Cortejo - Dança do Rei David, São João de Braga - Portugal
Dança do Rei David
Dança do Rei David - Braga - Portugal
Marchas de Santo António, Lisboa - Portugal

Marchas de Santo António, Lisboa - Portugal

Marchas de Santo António, Lisboa - Portugal

terça-feira, 9 de maio de 2017

Folkcom 2017 concluída com êxito no Recife


A XVIII Conferência Brasileira de Folkcomunicação realizada no Recife, de 3 a 5 de maio de 2017, reuniu professores, estudantes e pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e da Colômbia. Com o tema: Folkcomunicação, cidadania e inclusão social no contexto das rurbanidades, o evento proporcionou importantes debates e reflexões sobre o tema nas mesas redondas, tais como: Folkcomunicação no contexto das Rurbanidades; Pensamento e obra de Roberto Benjamin; Cidadania e Inclusão Social; Cultura, Juventude e Cidadania no contexto das Rurbanidades; e Folkcomunicação na América Latina. 
Tive o prazer de participar da mesa redonda: A Folkcomunicação no contexto das Rurbanidades, com a presença dos colegas Iury Parente, Lawrenberg Adivíncula e das colegas Maria Rita Alcântara e Sônia Regina Cunha. Além das mesas redondas o tema “Folkcomunicação e Rurbanidades”, foi discutido numa perspectiva interdisciplinar nos GTs – Grupos de Trabalho instalados em amplas salas com boas estruturas para as atividades acadêmicas na FACIPE – Faculdade Integrada de Pernambuco. 
A introdução ao tema central coube ao presidente de honra da Rede Folkcom Professor Dr. José Marques de Melo na conferência de abertura do evento, realizada no auditório da UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco. Como não poderia deixar de ser os eventos culturais tiveram importantes momentos como a exposição de fotografias e lançamentos de livros.
Como já era esperado, um dos grandes momentos da Folkcom 2017, foi a mesa redonda cujo tema abordou o legado deixado pelo professor Roberto Benjamin e, em seguida, o lançamento do livro: Roberto Benjamin: pesquisas, andanças e legado, editado pela eduepb – Editora da Universidade Estadual da Paraíba com a coordenação de Guilherme Fernandes, Luiz Custódio da Silva, José Fernando Souza, Júnia Martins, Maria José Oliveira e José Marques de Melo. 
Mais adiante publicarei comentários sobre este livro que é uma importante obra para os estudos e as pesquisas da folkcomunicação e que deixa para a posteridade o registro dos estudos e pesquisas do homenageado.
Mas gostaria de citar os livros, também de grande importância para a área da folkcomunicação, que estavam à disposição dos participantes do evento como: Antigos Carnavais da Cidade do Natal, do folclorista e escritor Gutenberg Costa; Marcas Folkcomunicacionais na Obra Literária de Luiz Beltrão, da atual presidente da Rede Folkcom e Professora Drª Eliane Mergulhão; Comunicação para o Desenvolvimento Redes da Memória, da Professora Drª Maria Salett Tauk Santos; Pelos Sertões do Nordeste, da Professora  Drª Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros. 
Este evento veio, portanto, apresentar à comunidade acadêmica brasileira de Ciências da Comunicação e de áreas afins uma discussão premente sobre questões que afetam a sociedade brasileira contemporânea no campo da Comunicação, da Cultura Popular e do Folclore. 
A XVIII edição da Folkcom 2017 só foi possível graças à parceria do Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Extensão Rural e Desenvolvimento Local da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), como realizadores locais, com participação de docentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGEM-UFRN) e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PPGJor-UEPG) e o acompanhamento já histórico da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento. A Folkcom 2017 teve participação especial do Núcleo de Pós-graduação – NUFA – UNIT/FACIPE) e apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Por último quero ressaltar o trabalho de toda a comissão organizadora da XVIII Folkcom 2017 constituída de professores, alunos e funcionários da UFRPE e da FACIPE. Agradecer às professoras Betania Maciel e Irenilda de Souza Lima responsáveis pela coordenação geral e ao professor Pedro Procópio dos Santos pela coordenação das atividades técnicas-cientificas nas dependências da FACIPE, que superou as nossas expectativas pela organização e estrutura nos ambientes dos trabalhos. Enfim, estamos todos de parabéns pela realização da Folkcom 2017 apesar da crise que afeta a educação brasileira em todos os níveis. Até breve. 
Galeria de fotos:
Mesa: Pensamento e Obra de Roberto Benjamin




Confraternização de abertura (UFRPE)


Lançamento do livro que reúne diversos textos de Roberto Benjamin




terça-feira, 2 de maio de 2017

XVIII Folkcom 2017: pensamento e obra de Roberto Benjamim

Esta semana será de grande importância para a Rede Folkcom. A XVIII Conferencia Brasileira de Folkcomunicação será realizada de 3 a 5 de maio no Recife, cidade que deu régua e compasso a Luiz Beltrão e a Roberto Benjamim com o apoio da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE) e da Faculdade Integrada de Pernambuco (FACIPE). O tema central do evento “Folkcomunicação: cidadania e inclusão social no contexto das rurbanidades”, possibilitará uma ampla reflexão sobre o momento atual da ruralidade brasileira e os diferentes contextos socioculturais em tempos das redes sociais e da TI -  Tecnologia da Informação. Importantes estudiosos e pesquisadores da área da comunicação e da folkcomunicação participam de conferências, mesas redondas e grupos de trabalhos.
Mas, sem dúvida um grande momento da Folkcom 2017 é a mesa redonda que debaterá o pensamento e a obra de Roberto Benjamim, um dos pioneiros dos estudos da folkcomunicação. Roberto e José Marques de Melo foram alunos de mestre Luiz Beltrão e ambos conseguiram consolidar a área de estudo e da pesquisa da folkcomunicação. Nos rastros deles caminharam outros tantos estudiosos e pesquisadores e eu também estava lá nessa caminhada. Fui aluno de Roberto na graduação de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, depois no mestrado na UFRPE como aluno e orientando. Aqui presto a minha homenagem ao meu mestre Roberto Benjamim reproduzindo uma entrevista, melhor dizendo um bate-papo entre amigos, que eu e José Fernando fizemos para a RIF - Revista Internacional de Folkcomunicação, quando ele esteve a última vez na minha casa em março de 2013. Aqui estão algumas fotos das dezenas que registramos juntos nas diversas caminhadas. Acesse aqui a RIF.

Galeria de fotos: