segunda-feira, 10 de junho de 2019

A festa de São João de Valongo ou da Bugiada e Mouriscada em Portugal

No Folkcom da UEPB 2019 (Foto: acervo pessoal)
A Universidade Estadual da Paraíba/UEPB realizou de 5 a 7 de junho de 2019, na cidade de Campina Grande, o XVI Seminário os Festejos Juninos no Contexto da Folkcomunicação e da Cultura Popular, mais uma vez participei como convidado da mesa redonda sobre "folkcomunicação, cultura popular e comunidade", bem como da coordenação do grupo de trabalho, "folkcomunicação e cultura popular nos contextos religiosos". Na ocasião fiz um relato parcial da pesquisa etnográfica no campo da folkcomunicação realizada em 2013 e 2015 e que será finalizada agora em 2019 quando mais uma vez acontece a fantástica festa de São João na Freguesia de Sobrado. Estarei lá para mais uma observação e concluir a pesquisa de campo.  
O que é a festa
Mourisqueiros - Sobrado- Portugal (Foto: acervo pessoal)
A festa São João em Sobrado, uma freguesia do Conselho de Valongo localizado na área metropolitana do Porto na região Norte de Portugal, é uma tradicional celebração do calendário religioso e profano do catolicismo popular, realizada anualmente no dia 24 de junho. É a festa da Bugiada e Mouriscada.
É uma festa junina bem diferente das nossas festas aqui no Nordeste brasileiro. A Festa dos Bugios (cristãos) e Mourisqueiros (mouros) no dia de São João é um espetáculo extraordinário do ciclo carolíngio das “lendárias estórias” entre cristãos e mouros que se enfrentam numa longa batalha pela posse milagrosa da imagem de São João Batista entre cristãos e mouros.
Bugios - Sobrado - Portugal (Foto: acervo pessoal)
Mesmo com todos os processos de atualização a festa continua com fortes características das antigas festividades carnavalescas do início do verão no Hemisfério Norte que tem suas origens na Idade Média e continuam vivas na Idade da Mídia.
E, como não poderia deixar de ser, este ano, no dia 24 de junho, Sobrado será mais uma vez o território da realização da Festa da Bugiada e Mouriscada ou Festa de São João.
Vale a pena ver o vídeo promocional da Câmara Municipal de Valongo/CMV sobre as lutas entre cristãos e mouros nas festas de São João Batista. O vídeo está disponível na internet. Confira.



quarta-feira, 20 de março de 2019

A celebração do dia de São José e o equinócio


Hoje, dia 20 de março de 2019, ás 21h58 tem início o outono aqui no hemisfério sul, onde está localizado o Brasil, e no hemisfério norte é a chegada da primavera. É o período em que acontece o equinócio, quando o dia e a noite têm duração igual de 12 horas. Portanto, não é mera coincidência os povos cristãos e principalmente os católicos celebrarem no dia 19 de março o dia de São José Operário, padroeiro dos marceneiros, dos carpinteiros, o pai de Jesus e o esposo de Maria. São José está na lista dos santos mais celebrados no mundo e de grande devoção no catolicismo popular. E desta forma a igreja católica, no decorrer do tempo, incorpora os períodos festivos das mudanças das estações no seu calendário litúrgico. 
DParóquia de São José - João Pessoa/PB
Aqui, no nordeste brasileiro, uma região bastante castigada pelas constantes secas, se chover no dia de São José significa que teremos um inverno bom, regular e de boa produção na agricultura e por isso São José é lembrado com muitas festas.  Choveu no dia 19 de março as esperanças dos nordestinos, dos sertanejos são renovadas, dão graças a Deus e São José.
Mas tudo isso tem significado e sentido que vem das antigas práticas de celebrações culturais e religiosas dos povos pagãos para celebrar as mudanças das estações do ano. Ao longo do tempo essas práticas de celebrações com festas sagradas e profanas - (verão, outono, inverno e primavera) - sempre fizeram parte dos processos das transformações culturais e religiosas da sociedade humana. Portanto, são essas práticas dos povos antigos que vêm sendo resinificadas desde a Idade Média até os dias atuais – na Idade da Mídia – com suas diversidades nacionais, regionais e locais recheadas desses novos significados e sentidos impregnados de apropriações e incorporações de valores simbólicos de bens religiosos e de consumo exigidos pelas demandas da sociedade midiática.
A religiosidade popular, desde a antiguidade, sempre foi alimentada pela criatividade, pela espontaneidade e pela aculturação dos seus seguidores que, através dos longos anos de peregrinações rumo aos lugares sagrados, contavam as histórias de vida nas feiras, nas procissões, nos pagamentos de promessas, nas festas religiosas da piedade popular e em tantas outras atividades da vida cotidiana fortemente marcada com a presença da igreja na Idade Média.
Os peregrinos sempre operaram estratégias de comunicação nas extensas redes mnemônicas da oralidade, muitas vezes dissimuladas, astutas, camufladas, como táticas de convivências e de conveniências, quando necessário, mas nunca desatentos, resistindo e interpelando os fatos mesmo entre “a cruz e a espada” da dominação da igreja no período medieval na Europa. Portanto, os processos de atualizações das festas religiosas sagradas e profanas são tão antigos quanto a própria expansão do cristianismo na Península Ibérica.
As datas das celebrações festivas, sagradas e profanas dos santos e santas do catolicismo popular, na atualidade passam por importantes transformações que vêm desde os ritos dos povos nômades – peregrinos – a caminho da ocupação da Terra Santa de Israel e que se expandem pelos caminhos rumo a Santiago de Compostela. As redes mnemônicas de comunicação, assim como as redes folkcomunicacionais continuam influenciando nas estratégias de importantes transformações nas práticas religiosas e profanas da piedade popular dos povos ibéricos desde a Idade Média, consequentemente do povo brasileiro e agora mais do que nunca na Idade da Mídia.
Dia de São José é uma data importante para os católicos em diversas partes do mundo e que persiste celebrada mesmo no contexto da sociedade midiatizada.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

José Marques de Melo: o andarilho híbrido cultural

Neste momento em que prestamos nossas homenagens ao mestre e amigo José Marques de Melo não podia deixar passar em branco a oportunidade para narrar um pouco do longo tempo de convivência com um dos mais importantes pensadores das ciências da comunicação na comunidade lusófona e latino-americana, um agregador de estudiosos e pesquisadores em instituições acadêmicas, em diferentes partes do Brasil e no exterior.  Foi um andarilho híbrido cultural que caminhou de Santana do Ipanema/AL até a China como O Guerreiro Midiático, como bem disse Sergio Mattos autor de sua biografia. Mas, falar da importância de José Marques de Melo na minha formação acadêmica dissociada da importância que Roberto Benjamim também teve é quase impossível, porque os dois foram os grandes incentivadores de tudo que faço como professor e pesquisador das ciências da comunicação e especialmente da Folkcomunicação. Ou seja, eles estão vinculados historicamente nessa minha caminhada que teve início nos anos 70 do século passado e que continua até os dias atuais. 

Não fui seu aluno de bancada universitária, mas ele sempre foi um incentivador, orientador de quase toda a minha trajetória acadêmica, principalmente nas pesquisas teóricas e empíricas e, nessas longas caminhadas, nem todas fáceis, alguns momentos marcaram a nossa convivência que quero destacar. 
Foi através de professor Roberto Benjamim que, em 1975, conheci José Marques de Melo, ainda no último ano do curso de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, quando já participava das atividades da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação/ABEPEC  e, a partir daí, mantivemos durante todo este tempo uma forte ligação que envolvia os nossos interesses pelo desenvolvimento das ciências da comunicação participando de vários projetos de pesquisas e eventos culturais, de publicações, e de tantas outras  atividades na Intercom  e na Rede Folkcom.

No período da minha graduação em jornalismo os seus livros eram referência e assim foi também na pós-graduação. Mas, o primeiro artigo que li de José Marques de Melo, o título me chamou muita atenção, e foi publicado na revista da ABEPEC – volume 1 – número 1 – 1º semestre de 1975:  O impasse estrutural e as soluções utópicas.  José Marques de Melo, na época Diretor da ECA – USP, comentava sobre a importância do livro de Alberto Dines O Papel do Jornal (Rio de Janeiro, Artenova, 1974). Uma análise dos estudos e suas repercussões sobre a crise da imprensa no Brasil e a modernização do Jornal do Brasil – JB. 


 Como sócio da ABEPEC a convite de José Marques de Melo supervisionei a pesquisa de campo, nos estados de Pernambuco e Paraíba, do projeto de Pesquisa Sobre a Televisão Brasileira.   José Marques de Melo era o consultor metodológico do projeto e Roberto Benjamim o coordenador na Região Nordeste. A pesquisa, realizada em 1978, com abrangência em todo o território nacional foi o primeiro grande inventário crítico sobre a televisão brasileira desenvolvido pela comunidade acadêmica.
Participei dos últimos congressos da ABEPEC e foi numa dessas ocasiões que José Marques de Melo desenhava para um grupo de professores a possibilidade da criação da Intercom e já convidava para participarmos na sua fundação. Assim, como outros professores, encampamos a sua ideia e seguimos em frente como sócio até hoje da Intercom.
Depois veio a ideia de criar o GT – Folkcomunicação na Intercom e, mais na frente, em 1998, participei da I Conferência Brasileira de Folkcomunicação e da fundação da Rede de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação - Rede Folkcom e em todos esses momentos sempre incentivado por José Marques de Melo e Roberto Benjamim.
Sem dúvida, com o apoio dos dois mestres José Marques e Roberto Benjamim, dei o ponta pé inicial, foi o meu batismo para iniciar as minhas   pesquisas no campo da comunicação e principalmente nos estudos sobre televisão.  E mais uma vez com o incentivo deles passei a fazer parte do GT - Ficção Televisiva Seriada da Intercom até migrar para GT – Folkcomunicação que estava sendo criado, por José Marques e Roberto Benjamim, como homenagem e reconhecimento a Luiz Beltrão por tudo que ele fez para consolidar a comunicação como uma ciência no Brasil.
Com José Marques de Melo destaco, também, a realização do Seminário sobre o Pensamento e a Presença de Luiz Beltrão na Paraíba, com apoio da Universidade Federal da Paraíba/UFPB/PRAC/COEX, em comemoração aos 30 anos do I Encontro de Folclore da Paraíba realizado na cidade de Pombal em 1976. No encontro em Pombal Luiz Beltrão participou como um dos conferencistas e fez uma exposição da sua teoria sobre O folclore como sistema de comunicação popular. 
O seminário para celebrar os 30 anos do encontro em Pombal foi mais uma ideia de José Marques de Melo e aconteceu em novembro de 2006 no auditório da Reitoria da UFPB, em João Pessoa, com a participação de importantes estudiosos e pesquisadores da ciência da comunicação, estudantes e representantes da comunidade de Pombal. Esse Seminário resultou na publicação do livro Luiz Beltrão: pioneiro da comunicação no Brasil, Editora da UFPB/INTERCOM, João Pessoa, 2007, organizado por nós dois.  
E para fechar esses grandes momentos José Marques de Melo participou da banca de doutorado que defendi no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS em 2004, sendo aprovado com a tese: Quando a Televisão Vira Outra Coisa: as estratégias de apropriação das redes de comunicação cotidianas em São José de Espinharas –PB com importantes comentários de Marques de Melo.

Ele e Roberto Benjamim cobravam, insistentemente, a publicação da minha tese em livro, o que acabei por fazer depois de algum tempo com a satisfação de ter o prefácio de Marques de Melo no meu livro Folkcomunicação e Ativismo Midiático, publicado pela editora da Universidade Federal da Paraíba, em 2008, como resultado parcial da minha tese. E o título foi uma sugestão dele. 
Finalizando o prefácio José Marques de Melo diz:
Trata-se, portanto, de um livro atualíssimo, cuja problemática central continua a desafiar os corações e as mentes da nossa comunidade acadêmica. Aqui está refletida a maturidade intelectual alcançada pelo autor e a autonomia teórica que ele demonstra ao transitar confortavelmente por diferentes paisagens e ao dialogar altivamente com autores situados em distintas correntes de pensamento.
Folkcom Recife 2017 
O nosso último encontro foi no Folkcom em Recife (2017) quando José Marques lembrava que em 2018 se celebraria o centenário de Luiz Beltrão e já convidava para uma série de atividades que seriam realizadas pela Intercom e Rede Folkcom. De pronto aceitei fazer parte das homenagens ao criador da Teoria da Folkcomunicação e um dos pioneiros do pensamento das ciências da comunicação no Brasil.
Rememorando vivências com JMM
Agora, em setembro de 2018, durante o 41º Congresso da Intercom realizado em Joinville/SC, o GP – Folkcomunicação prestou uma homenagem ao seu fundador e presidente de honra José Marques de Melo com uma mesa sobre a sua importância na fundação da Rede de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação-Rede Folkcom. Mais uma vez participei dessas homenagens com os demais colegas do GP e com a honrosa presença de Silvia, a sua companheira de toda vida.
Mas, não acabava aí. Para minha surpresa os companheiros do GP-Folkcomunicação elegeram-me como presidente de honra da Rede Folkcom.  Não será uma tarefa fácil substituir fisicamente José Marques de Melo até porque o legado deixado por ele nem o tempo apagará e será sempre lembrado por várias gerações. 

Mas estarei de prontidão lutando para que a Folkcomunicação seja reconhecida como merece ser por toda a comunidade acadêmica brasileira, até porque esse era um desejo de José Marques de Melo, não só o reconhecimento da Teoria da Folkcomunicação, mas da obra completa de Luiz Beltrão.       
Frequentei várias escolas públicas e privadas tive bons professores em todos os níveis da minha formação educacional, mas não poderia deixar de dizer, neste momento, da importância que José Marques de Melo e Roberto Benjamim foram e continuarão sendo referências na minha vida profissional e pessoal. Foi um longo período de aprendizado que tive com esses dois grandes pensadores das ciências da comunicação.
Obrigado amigos estejam onde estiverem!!!

sábado, 1 de setembro de 2018

O Dr. Castanha e o maior Cajueiro do Mundo



Mais uma vez fui a Pirangi e desta vez para participar do II Encontro da Família Trigueiro “Somos Trigueiro 2018” e como não poderia deixar de ser fiz uma visita ao Dr. Castanha, comprei alguns dos seus produtos e ganhei de presente a propaganda do meu blog FolkMídia (veja o vídeo). 
Inaldo Lucas de Faria, é o Microempreendedor Individual (MEI) que faz sucesso num dos destinos turísticos de grande frequência na área metropolitana de Natal, a capital do Rio Grande do Norte, Brasil.
Dr. Castanha é o personagem criado por Inaldo Lucas para chamar a atenção dos que visitam o complexo turístico do Cajueiro Gigante situado na Praia de Pirangi no Litoral do Rio Grande do Norte. Para diferenciar dos demais vendedores no centro comercial Dr. Castanha veste-se a caráter imitando o jaleco de médico e com o bom humor caraterístico de palhaço de circo chama a atenção com sua irreverência e simpatia na venda dos diversos tipos de castanhas de caju, bastante apreciadas em toda a região.
Dr. Castanha é um ativista midiático que opera nas redes de folkcomunicação empregando estratégias de folkmarketing e performance na organização da venda dos produtos de sua micro empresa individual – MEI com o objetivo de alcançar melhores metas e consequentemente mais lucro.
O Dr. Castanha, ou Inaldo Lucas, é um brincante que se apropria das matrizes culturais das manifestações tradicionais do nosso folclore e como gestor de uma empresa individual apodera-se das modalidades folkcomunicacionais para ocupar um espaço especial como vendedor de produtos regionais, as castanhas, no entorno do complexo turístico do “Maior Cajueiro do Mundo”, que Lucas identifica como o maior ser frutífero do planeta. 
Como consumidor de castanhas que sou, todas as vezes que passo em Pirangi, dou a preferência aos produtos do Dr. Castanha não só pela qualidade e melhores preços, mas também para aproveitar mais um pouco das estratégias de vendas do empreendedor Inaldo Lucas que é sem dúvida um grande vendedor e que fideliza os seus clientes.








Parte da família do ramo Dantas Trigueiro

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Festival Sul-Americano de Folclore em Campo Grande

O dia 22 de agosto é internacionalmente o dia do folclore e como não poderia deixar de ser há festividades em todo o território brasileiro para marcar esta importante data, com muitas manifestações das nossas culturas populares que se espalham por todas as regiões do país com as suas diversidades simbólicas religiosas e profanas.

No dia 22 de agosto de 1846 o arqueólogo inglês William John Thomas emprega pela primeira vez a palavra folk-lore num artigo publicado no jornal Ateneu de Londres com o objetivo de designar coisas antigas das manifestações culturais populares. Ou seja: as antiquitates vulgares, portando esse é o grande motivo que determinou agosto como o mês do folclore e que há muito tempo está incorporado ao nosso calendário cultural. Mas na atualidade o folclore é um campo muito mais amplo de manifestações culturais e que se atualizam nos diferentes espaços e tempos da história da sociedade humana. 

Neste dia há uma correria de professores e estudantes às bibliotecas, aos museus, para entrevistar folcloristas, os mestres dos saberes populares e nos últimos anos nas redes sociais em busca de informações para suas tarefas escolares. Tudo isso é muito importante, até mesmo porque o interesse pelo folclore e pela cultura popular vem aumentado nos diferentes níveis escolares, mas quase sempre são apenas intensificados no mês de agosto e mais especificamente no dia 22 em que se celebra o dia do folclore. 

Portanto, não poderia deixar passar em branco esta data sem prestar as minhas homenagens à Marlei Sigrist uma guerreira folclorista brasileira que durante décadas dedica a sua vida na divulgação do folclore brasileiro e especialmente sul-mato-grossense nas escolas de ensino fundamental, nas universidades em Campo Grande e em tantas outras localidades do seu Estado. Estou falando de uma paulista que há muitos anos migrou do interior de São Paulo com mala e cuia para enfincar os pés nas terras da cidade “Morena”. 
Foi um grande prazer participar do 2º Festival Sul-Americano de Folclore promovido pela Comissão Sul mato-grossense de Folclore – CSMFL, com o apoio da Comissão Nacional de Folclore – CNF e de outras instituições locais, realizado na cidade de Campo Grande no período de 3 a 6 de agosto de 2018. O festival já na sua segunda edição entra no calendário das Comissões Estaduais e da Comissão Nacional de Folclore como um dos mais importantes eventos culturais do Brasil. 

A continuidade do Festival Sul-Americano de Folclore justifica-se pela importância como uma ação contemporânea em que os grupos artísticos locais, regionais, nacionais e internacionais demonstram suas especificidades culturais contribuindo para a memória social e para a construção da cultura sul-mato-grossense. O festival proporciona observações de estudiosos e pesquisadores das manifestações tradicionais não só do seu povo como também das diferentes regiões do Brasil e de países sul-americanos que com suas experiências contribuem para o desenvolvimento de um estado de culturas hibridas. 
Mato Grosso do Sul é privilegiado geograficamente e socioculturalmente por ser uma das mais novas unidades federativas do país, a sua composição étnica é constituída de um intenso processo migratório de povos de outros estados, principalmente nos anos de 1990, que lá chegando encontraram os mato-grossenses e os ameríndios. Está localizado na Região Centro Oeste fazendo limites com os estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Não podemos esquecer a forte influência portuguesa, espanhola, libanesa, síria e japonesa na cultura dessa gente. 

O Estado do Mato Grosso do Sul é uma representação simbólica de uma importante amostra cultural do Brasil e que merece ser melhor conhecido por nós brasileiros e o Festival Sul-Americano de Folclore é uma importante ocasião para conhecer grande parte dessas manifestações culturais do centro-oeste brasileiro e de outros países sul-americanos.

O Festival Sul-Americano de Folclore 2018 foi realizado em três partes interligadas. A primeira as apresentações dos grupos folclóricos do Brasil, Paraguai e Bolívia em diversas localidades de Campo Grande com destaque para as apresentações no palco da Praça do Rádio, um lugar de grandes acontecimentos culturais na cidade. A segunda parte foi destinada aos cursos para professores do ensino fundamental sobre o folclore na educação, exposições, oficinas e um café social de integração dos grupos participantes do evento.
foto da coordenação do encontroA terceira e última parte foi a realização de um seminário de estudos do folclore na educação patrimonial com a participação de importantes estudiosos, pesquisadores e representantes de diversas comissões estaduais e da Comissão Nacional de Folclore.
Os meus comprimentos a Marlei Sigrist, presidente da Comissão Sul-mato-grossense de Folclore, a todos os demais membros da coordenação do festival e ao Grupo Camalote de Danças Folclóricas pela realização do importante evento cultural. 


Até o próximo festival.








quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Sesquicentenário de Rodrigues de Carvalho

(Jurista, poeta, historiador, folclorista e membro da Academia Paraibana de Letras)


Foto: Carlos Meira
O Centro de Estudos Jurídicos e Sociais – CEJUS, que tem como seu presidente Dr. José Fernandes de Andrade, promoveu uma série de eventos no ano de 2017 em comemoração ao centenário de nascimento de José Rodrigues de Carvalho, intelectual paraibano de Alagoinha e, agora em 2018, fechando esse ciclo de eventos o CEJUS publicou uma edição especial fac-similar do Cancioneiro do Norte da qual tive a honra de fazer o prefácio e participar do seu lançamento que aconteceu no dia 8 de junho no auditório do CEJUS.

Aqui transcrevo um pouco do que disse sobre a grande obra do imortal da Academia Paraibana de Letras, Rodrigues de Carvalho.  O livro publicado pela política editorial da CEJUS está à disposição de todos os interessados na sede do Centro de Estudos Jurídicos e Sociais que fica localizado na Av. Rio Grande do Sul, nº 1411 Edifício Rio Tauhá, no Bairro dos Estados em João Pessoa – Paraíba/Brasil.


Prefácio
Cancioneiro do Norte
5ª Edição Fac-similar – 2018


Lançamento 5ª Ed fac-similar do Cancioneiro do Norte
Quando recebi o convite do Dr. José Fernandes de Andrade, Presidente do Centro de Estudos Jurídicos e Sociais – CEJUS, para fazer o prefácio da quinta edição fac-similar do Cancioneiro do Norte, fiquei com muitas dúvidas para aceitar essa nova empreitada de tamanha responsabilidade. Tentei fugir do compromisso, mas foi impossível recursar o convite do Dr. José Fernandes de Andrade. Depois de uma longa conversa na sua sala no CEJUS fui convencido pela sua demonstração de carinho e da paixão pela obra do conterrâneo de Alagoinha. Comentar uma obra de Rodrigues de Carvalho não é uma tarefa fácil porque ele atuou em várias frentes importantes da produção intelectual: no jurídico, na literatura, no magistério, no folclore, na história, no jornalismo, na política e em tantas outras atividades.

O livro tem prefácios que praticamente esgotam quase tudo que se deseja dizer sobre esta obra, do próprio autor na edição de 1928, do antropólogo e folclorista Diégues Júnior na edição de 1967 e do professor Iveraldo Lucena na edição de 1995. Fazer mais um prefácio seria dispensável da minha parte. Portanto, fiz a opção por discorrer algumas considerações introdutórias sobre a importância do Cancioneiro do Norte para os estudos e as pesquisas da cultura popular e do folclore na atualidade, até porque o livro é uma obra “imorredoura” como bem definhou o intelectual de Alagoinha.
        
Rodrigues de Carvalho deixou como legado uma vasta obra de diferentes gêneros, de significativa importância para a cultura brasileira, mas no campo do folclore se destacou com a publicação do Cancioneiro do Norte, uma obra pioneira, um marco da sua trajetória intelectual. No prefácio da segunda edição publicada na Paraíba em 1928, portanto 25 anos depois da primeira edição publicada em 1903 em Fortaleza, o autor chama atenção para o pioneirismo dos seus estudos e as pesquisas do folclore quando ainda era um tema de pouca importância no meio intelectual, quando diz: a cantiga popular era motivo de chufa, foi dos primeiros livros no gênero. Hoje temos uma prefeita noção do que seja o folclore e a sua importância histórica.

Na virada do século XIX para o século XX, com 37 anos, Rodrigues de Carvalho ao publicar a primeira edição do Cancioneiro do Norte desperta interesses entre os intelectuais brasileiros, quando ainda se ensaiavam os primeiros passos nos estudos e nas pesquisas para a construção simbólica de uma identidade nacional e uma das fontes eram as manifestações folclóricas. Mas, foi ao publicar a segunda edição acrescentada com fatos novos do folclore que ele entra definitivamente no ciclo dos importantes intelectuais brasileiros como: Nina Rodrigues (1862-1906), Silvio Romero (1851-1914), Gustavo Barroso (1888-1959), Mario de Andrade (1893-1945), Afrânio Peixoto (1876-1947), Gilberto Freyre (1900-1987), Melo Morais (1844-1919), Leonardo Mota (1891-19480), Câmara Cascudo (1898-1986), Ademar Vidal (1900-1986) e tantos outros. O Cancioneiro do Norte passa a ser reconhecido como uma obra referência por Luiz da Câmara Cascudo que a inclui na Antologia do Folclore Brasileiro: Séculos XIX-XX, os estudiosos do Brasil, bibliografia e notas e Florival Seraine na Antologia do Folclore Cearense.
 
Não podemos esquecer que no momento da publicação do Cancioneiro do Norte, o Brasil passava por grandes mudanças políticas, sociais e econômicas, que refletiam significativamente na produção cultural do país, inclusive nas tradições populares e no folclore. Nos primeiros anos do século XX a etnografia, a linguística e a antropologia ganhavam espaço e tempo como campos de estudo e de pesquisa, consequentemente se inicia uma sistematização científica na documentação das tradições populares e do folclore, até então considerado um campo de estudo desprovido de maiores critérios metodológicos.

Participou do 1º Congresso Afro-Brasileiro - 1º CAB, realizado no Recife em novembro de 1934 como Presidente da Comissão de Folclore, coordenou a sessão de debates sobre o Folclore/Arte; no artigo sobre “Aspecto da Influência Africana na Formação Social do Brasil” publicado no segundo volume dos anais do 1º CAB, Rodrigues de Carvalho cita uma das várias versões da lendária cantoria entre Romano de Mãe d’Agua e Inácio da Catingueira, realizada na cidade de Patos em 1870 e publicada no Cancioneiro do Norte na primeira edição de 1903. Mais uma vez aparece o pioneirismo do autor que inovou levando para o debate no 1º CAB os desafios, as cantorias cujas temáticas eram quase desconhecidas entre os estudiosos da época.
O congresso presidido pelo sociólogo Gilberto Freyre reuniu estudiosos de diferentes regiões, provocando polêmicas na jovem academia, na imprensa e divergências ideológicas nos diferentes segmentos da intelectualidade brasileira. Os debates, as conferências e as sessões temáticas no congresso sobre as questões da negritude, da mestiçagem e do sincretismo despertaram novos olhares sobre as tradições populares e do folclore, que passaram a ser estudados com maior rigor científico. E como já dito anteriormente, não mais visto como motivo chufa, mas como uma perfeita noção do que seja o folclore e a sua importância histórica para a construção simbólica de uma identidade brasileira com bases teóricas lideradas por Gilberto Freyre.

Manuel Diégues Júnior, no prefácio da edição comemorativa do centenário de nascimento do autor do Cancioneiro do Norte, publicada em 1967, ressalta a importância de Rodrigues de Carvalho e de suas obras ao afirmar:

Conheci pessoalmente Rodrigues de Carvalho em novembro de 1934, por ocasião do Congresso Afro-Brasileiro, do Recife; participamos, ele como Presidente, eu como Secretário da Comissão de Folclore naquele Congresso que a iniciativa de Gilberto Freire fizera reunir, com a colaboração de especialistas os mais variados: médicos e bacharéis, professores e estudantes, folcloristas e babalorixás. Já o conhecia então de nome; e de livro.    

A preocupação do autor em desenhar uma cartografia das manifestações folclóricas, foi uma demonstração do seu pioneirismo com uma visão futurista sobre a diversidade das manifestações culturais tradicionais e do folclore como: a religiosidade, as festas, as danças, os folguedos, as canções, as poesias e tantas outras expressões do povo. No percurso desenvolvido sobre a manifestação folclórica do Bumba-Meu-Boi em diferentes regiões do país, Rodrigues de Carvalho, pontua cada singularidade dessa manifestação na sua localidade, na cidade ou na roça, assim como observou o espetáculo do Bumba-meu-boi: Pelas cidades o boi perde a sua graça primitiva; na roça, porém, a coisa toma proporções de acontecimento notável. Nesta observação do Bumba-Meu-Boi é como se o autor previsse o possível desenvolvimento deste folguedo em transição do rural para o urbano. Ou seja, saindo da periferia para o grande centro como um espetáculo híbrido, como acontecimento de grande repercussão cultural.  
    
No Cancioneiro do Norte o autor chama atenção para os estudos das narrativas populares, escritas ou orais, que se cruzam nos versos e nas palavras de origens portuguesa, africana e indígena e que as definiu como narrativas de espécime de hibridismo. Rodrigues de Carvalho registra vários exemplos de narrativas populares (contos, cantos, lendas, fábulas, etc.), onde há o hibridismo dos três elementos já entremeados de tantas outras influências, o que torna sem maiores significações estudar isoladamente as suas origens. As observações, até fora do seu tempo, com relação ao que seria o universo simbólico de construção da identidade nacional, com uma visão mais ampla sobre a influência das diversidades culturais brasileiras, de certa forma, divergiam dos paradigmas predominantes na época.

Mais uma vez recorro ao magnifico prefácio de Diégues Júnior ao afirmar que: 

O hibridismo etnológico, referido por Rodrigues de Carvalho, traduz-se justamente nesta mistura em que, embora se possa indicar a fonte originária, não se pode estabelecer a sua exclusividade. É com absoluta razão, antecipando-se aos modernos estudos de regionalização cultural do Brasil, que o velho folclorista de 1903 procurava caracterizar as produções folclóricas por zona, e não por etnia; o que ele via na zona, aliás numa antecipação a modernos estudos, era justamente o elemento cultural em contato, produzindo pela fusão ou absorção dos elementos originais novos elementos, marcados pela feição do ambiente. 

Portanto, não só foi um dos pioneiros dos estudos do folclore como antecipou, nas primeiras décadas do século XX, teorias atuais dos estudos latino-americanos, quando emprega o termo hibridismo, e não exclusivamente os termos de sincretismo ou mestiçagem para definir os amplos processos de intercâmbios das diversidades culturais tradicionais. O primeiro termo por se referir quase sempre às questões raciais e o segundo quase sempre às questões religiosas.

Rodrigues de Carvalho faz o seguinte questionamento: Como afirmar se o canto A de origem europeia, a canção B indiana, a chula C africana, se o meio em que se recolhem tais produções é o resultado de um manifesto hibridismo etnológico?

Para justificar o uso do termo “hibridismo etnológico”, o autor ressalta a importância dos estudos comparativos dos valores culturais que constituem as tradições populares brasileiras, que atravessaram centenas de civilizações ao longo dos anos, de geração em geração e foram adaptando-se aos nossos costumes, onde a tradição se transfunde ao longo do tempo.  

Faço aqui um outro questionamento: talvez Rodrigues de Carvalho tenha empregado o termo hibridismo, já no início do século XX, antevendo os processos de dinamizações das culturas tradicionais e das culturas contemporâneas tão debatidas, tão polemizadas nos estudos e nas pesquisas atuais entre culturas midiáticas e culturas populares. Evidentemente levando em consideração a época que foi publicada a primeira e a segunda edição aumentada do Cancioneiro do Norte.

Rodrigues de Carvalho teve a preocupação de registrar os problemas das secas, do ciclo do cangaço e de outras temáticas socioculturais que eram motes nas cantorias, nos versos dos poetas populares e nos enredos dos folguedos para demonstrar que não existia uma tradição cultural, mas uma diversidade de manifestações tradicionais que se espalham nas diferentes regiões do território brasileiro e que continuam atualizando-se. Como ele mesmo diz no final do seu prefácio: Este livro não representa uma ambição literária, nem aspira à glória de obra limpa; ele significa um esforço por bem da intelectualidade anônima dos filhos do Norte.

Ao reeditar Cancioneiro do Norte depois da publicação em 1995 pelo Conselho Estadual de Cultura, o CEJUS, não só presta uma justa homenagem ao seu autor como também possibilita que novas gerações possam conhecer o trabalho pioneiro dos estudos e das pesquisas desenvolvidas por Rodrigues de Carvalho na virada do século XIX para o século XX.

É importante dizer que a edição fac-similar do Cancioneiro do Norte, que agora em 2018 é publicada pelo CEJUS, continua atual como referência bibliográfica, para quem deseja conhecer os primeiros registros do nosso folclore e realizar estudos comparativos sobre os hibridismos etnológicos na atualidade. 

terça-feira, 12 de junho de 2018

Santo Antônio: tenente-coronel celestial e casamenteiro

Foto do autor
Esses são só alguns dos atributos de Fernando Martim de Bulhões, o nome de batismo de Santo Antônio, um dos santos mais populares dos festejos juninos, aqui no Brasil e em Portugal. Talvez um dos mais celebrados do panteão cristão em quase todas as partes do mundo. Nasceu em Lisboa provavelmente no ano de 1190 e faleceu com cerca de 40 anos no dia 13 de junho de 1231.

A sua morte provocou grande comoção popular e o Papa Gregório IX o canonizou em 1232, menos de um ano do seu falecimento, porque a igreja tinha pressa em satisfazer os desejos dos devotos do santo polivalente. E a Igreja determina que 13 de junho, data da sua morte, passaria a ser celebrada no calendário litúrgico com festas religiosas e profanas em homenagem ao santo padroeiro dos casais apaixonados e das causas perdidas. 

O papa Leão XIII assim definiu Santo Antônio como o “Santo de todo mundo”, por reconhecer a sua popularidade na grande devoção e piedade popular espalhada por várias partes do mundo cristão. 
  
Considerado um dos doutores da igreja, profundo conhecedor da teologia e reconhecido por Roma como um grande orador que impressionava multidões com os seus sermões. Da ordem dos frades Franciscanos Menores, percorreu países onde destacou-se com os seus trabalhos missionários em Portugal, Itália e principalmente no sul da França, liderando importantes embates religiosos e ideológicos na tentativa da conversão ao cristianismo dos praticantes das heresias dos Cátaros. Foi um peregrino que percorreu diferentes localidades da Europa, da África pregando a palavra de Deus com o objetivo de converter povos pagãos ao cristianismo. Frei Fernando de Bulhões, tinha grande capacidade de mobilização das pessoas par ouvirem a sua palavra e juntava multidões por onde passava. Depois de sua morte a fama de santo milagreiro só cresceu ainda mais mundo a fora.   
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Nas viagens marítimas nos séculos XVI, XVII e XVIII dos grandes descobrimentos espanhóis e portugueses a devoção a Santo Antônio chegava às novas terras. A partir do século XIX a distribuição de pães no dia de Santo Antônio passou a ser uma prática da piedade popular em diversas partes do mundo inclusive aqui no Brasil como ação social aos mais pobres. 

O Frei Antônio de Lisboa e Pádua, tinha o dom da oratória e usava como estratégia de comunicação nas suas pregações a animação cultural, a conciliação das famílias, a paz e o amor. Esse foi um dos motivos que levou o santo a ser invocado para resolver problemas terrenos como causas perdidas, proteção dos militares nas frentes de batalhas, como advogado dos bons casamentos, contra os malefícios dos inimigos e tantas outras invocações. 

Era um frade alegre, brincalhão, humilde, prestativo, sempre estava à disposição do seu povo e era uma espécie de topa tudo no atendimento aos fiéis, mesmo sendo um profundo conhecedor da teologia. Conhecia muito bem a sabedoria popular e com isso nas suas pregações rompia o tom melancólico predominante na Igreja. 

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Em Portugal é considerado o santo dos lisboetas e como aqui no Brasil também é considerado um santo casamenteiro, festejado pelos namorados e noivos que sobem os altares paras as cerimônias de casamentos.  Em Lisboa, os 12 e 13 de junho são dias de grandes festas populares nos bairros da capital lusitana e as Marchas de Santo António desfilam em sua homenagem, por toda a Avenida da Liberdade, no centro da cidade. É sem dúvida uma das maiores festas populares de Lisboa.

Santo Antônio, protetor das moças e rapazes, das viúvas e dos viúvos desejosos de encontrar um amor perfeito para casar, também foi político e militar de alta patente. No Brasil, Santo Antônio já chegou a ser vereador perpétuo na cidade histórica de Igarassu, localizada na área metropolitana do Recife, capital do Estado de Pernambuco, com direito a receber os seus vencimentos do poder legislativo municipal, o equivalente a um salário mínimo mensal, cuja ordem de pagamento só foi suspensa em 2008 por interveniência do Ministério Público do Estado de Pernambuco. Mas não é só isso, ele foi muito mais. 

Transparências nas vitrines de Sto Antonio
Amadeu Amaral no seu livro Tradições Populares, 1976, registra a importância de Santo Antônio como um militar de alta patente em vários batalhões brasileiros devido à sua intermediação como santo protetor dos bravos soldados nos campos de batalhas.
Santo Antônio – o santo dos grandes milagres – foi tenente da Fortaleza de Santo Antônio dos Coqueiros, patente concedida pelo Conselho Ultramarino em 1717. Em 1710 entra para milícia do Rio de Janeiro com a patente de capitão. Dom João VI o promoveu a tenente-coronel no ano de 1814 e, posteriormente, com membro da Ordem de Cristo.

O santo taumaturgo português no catolicismo popular desde a Idade Média é ligado a centenas de crenças, superstições, feitiçarias e cerimônias que são realizadas na véspera do seu dia com a finalidade de alcançar algum pedido que possa desenrascar os problemas dos milhares de devotos.

Viva Santo Antônio

Fotos do arquivo pessoal do autor.